22 março 2009
Juno - Jason Reitman
Um dia desses eu estava sentada no meu sofá e me dei conta de que ainda não havia assistido Juno. Imediatamente, corri para a locadora e peguei o DVD. A capa já é divertida, com a menina e seu barrigão sob as listras horizontais. É difícil não achar Ellen Page uma fofa.
E o filme aconteceu. Depois dos 96 minutos eu me endireitei e pensei: "é só isso?". E era só aquilo mesmo.
O que me aconteceu não foi nada parecido com aquilo quando assisti "Little Miss Sunshine". Foi até um pouco decepcionante, e fato. Então se você ainda não assitiu Juno, faça um favor a você e aos envolvidos na produção e deixe de lado tudo o que você ouviu sobre a revolucionária história de Diablo Cody. Simplesmente sente-se e aproveite a viagem.
A história fala de uma adolescente de 16 anos - Juno - que abre o filme entornando um galão de suco de laranja. A narração dá o tom: Juno não é lá uma pessoa muito fácil de entender.
A abertura dos créditos é interessante, transformando a caminhada da heroína em animação, misturando perfeitamente a música ao rítmo dos passos. A história começa quando Juno descobre que está grávida.
Indiscutívelmente, esse é um filme de personagens, com diálogos fantásticos. Entendam, o roteiro é bem simples: adolescente grávida procura família para adotar seu bebê ao invés de abortá-lo e encontra o casal jovem e cheio de dinheiro. As coisas não vão muito bem, nem muito mal. Elas simplesmente seguem como na vida real. O que torna a película tão diferente é justamente isso: o retrato honesto daquelas pessoas, sem lirismo. Não existem estereótipos. Não existem superfreaks. Pessoas reais passeiam pela tela e nos identificamos com elas.
Juno é uma jovem diferente. Ela não é uma patricinha supermaquiada, nem uma nerd feiosa. Ela é uma metralhadora de referências e comentários sarcásticos. Se não soubessemos o que a menina tem na cabeça seria até difícil acreditar que ela tem sentimentos de verdade. Mas descobrimos sim, que ela tem. Sua condição não é tão fácil quanto ela faz parecer e seu relacionamento com as pessoas envolvidas não é tão smples quanto ela gostaria que fosse. Ela não é a heroína que queremos ser ou a vilã que queremos odiar. Ela é uma menina brilhante e amalucada que não consegue assumir o que sente. Que se esconde atrás dessa pessoa que ela inventou.
No final, quando conhecemos Juno um pouco melhor, torna-se ainda mais impossível não achar Ellen Page uma fofa. Seu trabalho é impecável e cheio de nuances. Ela torna Juno real e possível, com falhas e qualidades. O filme é tão dela quanto o título. Os atores de apoio também trabalham muito bem: todos com alguma excentricidade, mas nem por isso estranhos a nenhum de nós. O pai e a madrasta, e a forma como eles aceitam a gravidez, muito normal. Muito bonito. Muito engraçado.
O casal que deve adotar o bebê, com a mulher super controladora e desesperada para ser mãe e o marido compositor com a maior cara de que está no lugar errado e na hora errada. Eles se encaixam perfeitamente na história.
A melhor amiga cheerleader e os outros adolescentes do colégio estão muito distantes do que conhecemos sobre o Highschool americano. Como eu já disse, não há estereótipos no filme. Apenas reações engraçadas (e esperadas). Adorei esse aspecto em especial.
O personagem que, a meu ver, é o mais complexo (depois de Juno) é o progenitor Bleeker (magistralmente interpretado por Michael Cera, de Arrested Development e Superbad). Apaixonado por Juno, ele tem que lidar com a inconsistência da expressão da garota, que não consegue lidar com o que sente por ele. E, como qualquer garoto, ele não pode simplesmente implorar à Juno que seja sua namorada. Isso não se faz mais hoje em dia. E todos os eventos do filme acotecem com ele, sem que, de alguma forma, ele seja um agente mais do que passivo. Ele ouve que vai ser pai, mas não precisa fazer nada a respeito. Ele vê a garota que gosta andar por ai todos os dias e sabe que não vai estar com ela. Ele corre todos os dias. Isso é tudo o que ele pode fazer.
Quando Juno percebe que o casal perfeito não é tão perfeito, finalmente atingimos o interior da menina. Ela sente o medo, a confusão, a decepção, o peso. Mas como uma boa menina, ela sabe o que é certo. Ela aceita que o bebê é uma pessoa e se aproxima dele. Todo esse tempo ela chamava a criança de "it", equivalente a "coisa" em português. É o seu bebê e ela quer o melhor para ele. Não adianta mais virar os olhos e fingir que está acontecendo com outra pessoa. Ela decide parar de se esconder atrás da barriga e do cinismo. Ela precisa crescer.
Em termos técnicos, a película é muito bonita. Tudo bem colorido (sem saturar) e sempre nublado. Os enquandramentos são divertidos e tocantes. Uma coisa que me incomodou no começo foi a forma que toda passagem era coberta por uma música. Parecia trabalho de principiante na direção. Mas depois eu entendi. Juno é uma mãe de primeira viagem. Ela é jovem e faz as coisas acontecerem. Sua vida passa como um videoclipe, só que com músicas antigas, como as que ela gosta. Então não é supresa que o filme termine assim, como um videoclipe, com tudo exatamente onde deveria estar desde o começo.
E o filme aconteceu. Depois dos 96 minutos eu me endireitei e pensei: "é só isso?". E era só aquilo mesmo.
O que me aconteceu não foi nada parecido com aquilo quando assisti "Little Miss Sunshine". Foi até um pouco decepcionante, e fato. Então se você ainda não assitiu Juno, faça um favor a você e aos envolvidos na produção e deixe de lado tudo o que você ouviu sobre a revolucionária história de Diablo Cody. Simplesmente sente-se e aproveite a viagem.
A história fala de uma adolescente de 16 anos - Juno - que abre o filme entornando um galão de suco de laranja. A narração dá o tom: Juno não é lá uma pessoa muito fácil de entender.
A abertura dos créditos é interessante, transformando a caminhada da heroína em animação, misturando perfeitamente a música ao rítmo dos passos. A história começa quando Juno descobre que está grávida.
Indiscutívelmente, esse é um filme de personagens, com diálogos fantásticos. Entendam, o roteiro é bem simples: adolescente grávida procura família para adotar seu bebê ao invés de abortá-lo e encontra o casal jovem e cheio de dinheiro. As coisas não vão muito bem, nem muito mal. Elas simplesmente seguem como na vida real. O que torna a película tão diferente é justamente isso: o retrato honesto daquelas pessoas, sem lirismo. Não existem estereótipos. Não existem superfreaks. Pessoas reais passeiam pela tela e nos identificamos com elas.
Juno é uma jovem diferente. Ela não é uma patricinha supermaquiada, nem uma nerd feiosa. Ela é uma metralhadora de referências e comentários sarcásticos. Se não soubessemos o que a menina tem na cabeça seria até difícil acreditar que ela tem sentimentos de verdade. Mas descobrimos sim, que ela tem. Sua condição não é tão fácil quanto ela faz parecer e seu relacionamento com as pessoas envolvidas não é tão smples quanto ela gostaria que fosse. Ela não é a heroína que queremos ser ou a vilã que queremos odiar. Ela é uma menina brilhante e amalucada que não consegue assumir o que sente. Que se esconde atrás dessa pessoa que ela inventou.
No final, quando conhecemos Juno um pouco melhor, torna-se ainda mais impossível não achar Ellen Page uma fofa. Seu trabalho é impecável e cheio de nuances. Ela torna Juno real e possível, com falhas e qualidades. O filme é tão dela quanto o título. Os atores de apoio também trabalham muito bem: todos com alguma excentricidade, mas nem por isso estranhos a nenhum de nós. O pai e a madrasta, e a forma como eles aceitam a gravidez, muito normal. Muito bonito. Muito engraçado.
O casal que deve adotar o bebê, com a mulher super controladora e desesperada para ser mãe e o marido compositor com a maior cara de que está no lugar errado e na hora errada. Eles se encaixam perfeitamente na história.
A melhor amiga cheerleader e os outros adolescentes do colégio estão muito distantes do que conhecemos sobre o Highschool americano. Como eu já disse, não há estereótipos no filme. Apenas reações engraçadas (e esperadas). Adorei esse aspecto em especial.
O personagem que, a meu ver, é o mais complexo (depois de Juno) é o progenitor Bleeker (magistralmente interpretado por Michael Cera, de Arrested Development e Superbad). Apaixonado por Juno, ele tem que lidar com a inconsistência da expressão da garota, que não consegue lidar com o que sente por ele. E, como qualquer garoto, ele não pode simplesmente implorar à Juno que seja sua namorada. Isso não se faz mais hoje em dia. E todos os eventos do filme acotecem com ele, sem que, de alguma forma, ele seja um agente mais do que passivo. Ele ouve que vai ser pai, mas não precisa fazer nada a respeito. Ele vê a garota que gosta andar por ai todos os dias e sabe que não vai estar com ela. Ele corre todos os dias. Isso é tudo o que ele pode fazer.
Quando Juno percebe que o casal perfeito não é tão perfeito, finalmente atingimos o interior da menina. Ela sente o medo, a confusão, a decepção, o peso. Mas como uma boa menina, ela sabe o que é certo. Ela aceita que o bebê é uma pessoa e se aproxima dele. Todo esse tempo ela chamava a criança de "it", equivalente a "coisa" em português. É o seu bebê e ela quer o melhor para ele. Não adianta mais virar os olhos e fingir que está acontecendo com outra pessoa. Ela decide parar de se esconder atrás da barriga e do cinismo. Ela precisa crescer.
Em termos técnicos, a película é muito bonita. Tudo bem colorido (sem saturar) e sempre nublado. Os enquandramentos são divertidos e tocantes. Uma coisa que me incomodou no começo foi a forma que toda passagem era coberta por uma música. Parecia trabalho de principiante na direção. Mas depois eu entendi. Juno é uma mãe de primeira viagem. Ela é jovem e faz as coisas acontecerem. Sua vida passa como um videoclipe, só que com músicas antigas, como as que ela gosta. Então não é supresa que o filme termine assim, como um videoclipe, com tudo exatamente onde deveria estar desde o começo.
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