19 novembro 2008

 

Ressaca de Amor - Nicholas Stoller




Uma das primeiras coisas que percebi ao ver Ressaca de Amor foi que o ator Jason Segel tinha muito em comum com o ator Vince Vaughn (na minha opinião um dos melhores comediantes da atualidade). Isso se deve a característica dos dois de fazer um humor melancólico, algo que de maneira alguma é ruim. Usando essa melancolia eles fazem com que você se identifique mais com o personagem, com as situações e com a trama. Afinal, quando passamos por situações difíceis na nossa vida (o tema principal do filme) tudo pode ser engraçado e triste ao mesmo tempo, dependendo de qual ponto de vista você tem.

Peter Bretter (Jason Siegel) é um cara que já não tem uma vida muito comum. Ele é um compositor de trilhas para o seriado de sua namorada, Sarah Marshall (Kristen Bell), que vive em casa o dia inteiro, não tem muitas preocupações e aproveita a vida como pode. Logo no começo do filme sua namorada chega e termina com ele e desse ponto em diante que você percebe que essa comedia romântica vai ser algo fora do comum. Afinal, um fim de namoro bem diferente, o choro comicamente incessante, os “rebotes” e tudo mais mostram que tomar um fora é algo que o filme leva a sério, e demonstra isso de uma maneira segura e interessante.

Depois de alguns momentos de choro, alguns rebotes e cenas de sexo casual hilárias, Peter resolve ir para o Havaí esquecer-se de Sarah. Um plano obviamente falho já que ele mesmo diz que era o local favorito dela. Chegando lá ele encontra Sarah com o seu novo namorado, Aldous Snow (Russel Brand), um cantor de pop/rock moderno que está, como todos, ligado em coisas espirituais e na natureza. Ao mesmo tempo ele conhece Rachel Jansen (Mila Kunis) a recepcionista que arrasada com a situação em que Peter se enfiou decide ajudá-lo.

A história, que pode parecer obvia, é na verdade um caminho para diversas piadas sobre relacionamentos e o final deles. É uma história tanto sobre o amor como sobre o sofrimento. Por isso, não é de se admirar que seja produzida por Judd Apatow, já que começamos a perceber que suas comédias, por mais pornográficas que sejam, tem como pano de fundo o romance (vide o Virgem de 40 Anos e Ligeiramente Grávidos) e mesmo não sendo um diretor que não fez muitos filmes (os dois acima citados) ele como produtor conseguiu colocar uma marca e um estilo em todos os filmes que se envolve. Além disso, os vários diretores que se envolvem com Apatow conseguem ainda deixar suas obras mais pessoais, sendo que mesmo sendo o mesmo estilo temos certeza que são obras completamente diferentes.

Voltando ao filme tenho que dizer que as atuações principais são magníficas. Começando por Peter, que consegue passar um tom de tristeza e desolamento ao mesmo tempo que inunda a tela com um belo timing cômico, passando por Aldous Snow que consegue ser totalmente despreocupado e mesmo assim nos cativar como uma criança rebelde e a os coadjuvantes, principalmente os que interpretam os nativos, que aparecem pouco e agregam muito humor  (tirando Jonah Hill que foi completamente desperdiçado).

No quesito atuação um parágrafo a parte tem que ser sobre as garotas, e não é por causa da beleza (já que elas são indiscutivelmente bonitas) mas sim pelo antagonismo das duas no filme. Começando por Kristen Bell, podemos perceber que ela é uma pessoa que não se importa em fazer humor de situações absurdas ou inclusive da própria carreira (sair de seriados, fazer filmes de terror ruins). Sempre atuando com muito carisma, nós só não gostamos dela por ser o pivô da trama e a pessoa que leva o protagonista a loucura, mas mesmo assim com o tempo, não podemos deixar de perceber que ela percebe o que deixou pra trás, de uma maneira bem construída e natural, o que acaba por nos fazer simpatizar por ela no final. Mila Kunis por outro lado foi uma surpresa. Uma ótima surpresa por sinal. Saindo de alguns papeis apagados (mesmo no That 70’s show) ela alegre e despojada, e sua graça não está no humor, mas em ser o contraponto perfeito para Peter.

Todo o filme surpreende, as vezes em momentos de puro humor ultrajante (se você realmente tiver um problema com homens nus evite esse filme, algumas piadas recorrem a isso) as vezes em cenas românticas o suficiente pra ver a dois. Então se você tiver uma companheira que consiga agüentar essas oscilações assista esse filme. É essa montanha russa que faz o filme ser bom e a vida continuar.

By Pato

PS: Como Peter é um compositor ele escreve algumas musicas no filme. Essas musicas são muito engraçadas, mas não são nada comparadas a voz que ele faz. Além disso elas foram escritas por Jason Siegel, o que é um credito muito maior pro cara. Outra coisa é que apesar do título em portugues não ser tão interessante quanto o em Ingles (Esquecendo Sarah Marshall) até que não ficou de todo mal. Ponto pra eles.


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06 novembro 2008

 

RocknRolla - Guy Ritchie




Antes de qualquer coisa, deixe-me dizer uma coisa. A escolha do título Rocknrolla é ótima em qualquer país do mundo, menos no Brasil, por razões obvias. O que eu já ouvi de piadinhas infames a respeito desse título não está escrito. Por isso aproveito esse minuto para fundamentar meu ódio pelos tradutores preguiçosos de títulos de filmes no Brasil. Rocknrolla- A grande roubada? Qual foi sua inspiração? Os 7 trilhões de títulos parecidos ou o locutor da Globo anunciando as sessões da tarde? 

Bom, feito isso, vamos ao que interessa.

Rocknrolla é um filme diferente ao que estamos acostumados quando nos lembramos de Jogos, Trapaças e dois canos fumegantes e Snatch – Porcos e Diamantes (os dois melhores filmes de Guy Ritchie até agora). Ele tem um estilo mais devagar, começa com um Voice Over meio fora de centro e parece querer seguir em uma jornada que nós já vimos dezenas de vezes em outros filmes do Guy Ritchie. Mesmo assim ele é familiar, com o mesmo estilo de câmera, com a mesma idéia de gangues e máfia com as mesmas convergências de histórias e tudo mais. A verdade é que é um filme novo, contando uma historia velha de uma maneira diferente.

No filme acompanhamos a vida de dois bandidos One-Two (Gerard Butler) e Mumbles (Idris Elba). Especialistas em pequenos golpes eles resolvem subir na vida comprando um terreno com grandes chances de valorizar. Mas para que isso aconteça, eles tem que negociar com Lenny Cole (Tom Wilkinson) um gangster local que é capaz de conseguir ou negar permissões de terrenos. Logo no começo do filme (como era de se esperar) Lenny engana One-Two e Mumbles, de uma maneira que não fica muito clara (como não deveria ser de se esperar), e os dois acabam por dever-lhe muito dinheiro. 

A partir desse momento enquanto Lenny negocia com um Chefão Russo (Karel Roden) para garantir-lhe uma permissão que vai contra as leis de Londres, os bandidos seguem as dicas de Stella (Thandie Newton), uma contadora entediada que começa a usar os dois para pequenos crimes planejados por ela, para com essas dicas ganhar dinheiro rápido. 

Além disso, paralelamente é usado um McGuffin que coloca na história Johnny Quid (Toby Kebbell), um cantor de Rock que forjou a própria morte, seus dois empresários Roman e Mickey (Ludacris e Jeremy Piven) e Bob (Tom Hardy), o comparsa de One-Two e Mumbles.

O forte do filme não é realmente a história, pois ela se desenvolve mais ou menos como previsto. O forte do filme é o seu humor. Pontual, sarcástico, seco e às vezes genial o humor do filme ganha a maioria dos espectadores que não chegam com o preconceito “Ah! Mais um filme do Guy Ritchie que tudo se converge magicamente no final”. Além disso, sou obrigado a dizer que as coisas não se convergem tão magicamente no final. As pessoas se encontram em situações nas quais elas são completas estranhas umas para as outras e tudo sai mais natural e sinérgico. Muito mais que o final de Snatch foi, a meu ver.

By Pato

PS: Eu ainda estou puto com RocknRolla – A Grande Roubada. Onde eu acho o idiota preguiçoso que traduziu isso?

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