02 abril 2009

 

Loucuras em plena madrugada - Michael Nankin & David Wechter



Existem filmes que estimulam nossa imaginação por toda a nossa infância, existem aqueles que estimulam nossa imaginação por toda nossa adolescência, mas existem uns poucos, infinitamente poucos, que estimulam nossa imaginação a vida toda. Loucuras em plena madrugada é um deles.

Sendo de 1980 e com poucas reprises, não duvido que pouca gente conheça esse filme, o que é uma pena. Não que ele tenha diálogos maravilhosos, que ele tenha uma direção de arte incrível, ou que ele seja repleto de atores famosos, a verdade é bem mais simples, Loucuras em plena madrugada é um filme sobre uma caça ao tesouro para adultos, e uma do tipo que até hoje eu, e diversas outras pessoas, sonhamos em participar.

A História começa com Leon (Alan Solomon) chamando um grupo de pessoas para sua casa. Quando todos chegam,ele explica que foram convidados para participar de um jogo de caça ao tesouro que irá durar uma noite inteira e atravessará a cidade. Depois de muito pensar e cada um com as suas motivações todos os convidados montam uma equipe cada um.

As equipes são representações extremas de clichês de filmes universitários. Temos a equipe amarela que representa os mocinhos e é liderada por Adam Larson (David Naughton), temos a equipe azul que é dos riquinhos mimados liderados por Harold (Stephen Furst), temos a equipe branca, dos nerds, liderada por Wesley (Eddie Deezen), a equipe vermelha das meninas rejeitadas lideradas pela feminista Donna (Maggie Roswell) e a equipe verde, dos atletas patéticos liderados por Lavitas (Brad Wilkin). Percebam que tirando os lideres das equipes amarela, azul e branca o resto é composto por ilustres desconhecidos; mesmo Michael J. Fox estava no seu primeiro filme nessa produção e não era conhecido por ninguém na época.

Sobre o roteiro tenho que admitir que tirando as pistas engraçadas e a arqui-rivalidade da equipe azul contra a equipe amarela (que são as tramas principais) o filme fica com sub-tramas meio sem sentido. A rivalidade das equipes branca, vermelha e verde são meio inúteis, a história do irmão menor de Adam, Scott (Michael J. Fox) até dá um impulso para a trama mas nada demais, a falha no veiculo da equipe azul (apesar de ser uma parte da trama principal) parece meio perdida. De todas a única que é divertida e se salva é a trama dos vizinhos de Leon aparecendo no meio da noite pra reclamar do barulho e ficando animados com toda a caça ao tesouro.

Com vários altos e baixos o filme não é um exemplo de grande inovação. Mas é interessante o suficiente para divertir quem não viu e trazer boas memórias a quem viu.

By Pato

PS:  Sempre quis fazer algo assim e um dia eu ainda vou fazer. Qualquer coisa eu posto aqui e aviso. Outra coisa, não tinha o trailer do filme no Youtube então peguei os minutos iniciais onde as pessoas recebem o convite para a caça. Mais 80's impossível!

TRAILER

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01 abril 2009

 

Watchmen - Zack Snyder





“O mundo acaba com você”, essa frase de sentido dúbio está na minha cabeça faz muito tempo, mas ganhou mais força depois de assistir Watchmen. Desde já, querio deixar claro que vou tentar ser o mais Spoiler free possível. Mesmo que no caso do Watchmen estamos lidando com o impossível.

“O mundo acaba com você”, analisando um dos sentidos dessa frase percebi que o mundo é apenas a nossa perspectiva, é apenas a visão que temos dele, é apenas aquilo que vemos ao abrir os olhos logo após nascermos até o momento que fechamos os olhos quando morremos. Essa divagação filosófica tem um motivo, Watchmen é uma representação fantástica dessa filosofia.

Nesse ponto, faço questão de deixar claro uma coisa, apesar de não ser essencial que se leia os quadrinhos antes de ver o filme, é muito importante para que se saiba tudo o que acontece ao fundo da narrativa, por isso para que se compreenda melhor as motivações de todos os personagens; portanto pretendo aqui contar o filme como se o leitor nunca tivesse lido as revistas e, sendo assim, precise de maiores explicações.

Quando o filme começa vemos o Comediante (Jeffrey Dean Morgan) sentado na frente à TV e mudando de canais aleatoriamente, uma cena que começa a demonstrar duas coisas: 1) Não estamos no presente (pelo tipo de aparelho e a programação) e 2) as coisas não são como as conhecemos pelas aulas de história. Esse pequeno pedaço já encara um bom desafio, e cumpre com bastante eficiência as necessidades do roteiro em fazer o espectador se localizar na história. Logo após essa cena surge uma cena maravilhosa onde um sujeito misterioso ataca o comediante e o defenestra (o joga pela janela – sempre quis usar essa palavra). Criando um impacto no espectador a cena termina com o inicio dos créditos, que embarcado ao som de The times they are a-changin’ do Bob Dylan (uma escolha que quase me fez chorar de alegria) mostra a ascensão e queda dos heróis mascarados, nesse mundo alternativo.


Seguindo uma narrativa confusa para aqueles que não leram os quadrinhos (já que parte da história teve que ser sacrificada ou modificada), Watchmen não é um filme de uma visita só. O filme realmente amarra todas as pontas soltas, mas exige um esforço normalmente reservado para filmes menos comerciais ou, como já dito, outras visitas (sendo que todas irão valer a pena). Não estou querendo banalizar os filmes, mas temos que entender que o casal de namorado que vai no filme por causa do marketing feroz, em um sábado a tarde, pra relaxar e trocar uns amassos não está muito preocupado com roteiros intrincados.

O enredo acompanha a conseqüência e os motivos por trás da morte do comediante. Como todos os heróis foram proibidos por lei e só podem trabalhar para o governo, a morte do mais antigo herói ainda na ativa desperta suspeitas de Rorschach (Jackie Earle Haley) já que ninguém conhece suas identidades. Procurando um a um todos os seus antigos colegas, Rorschach descobre uma trama que tem como objetivo aparente a destruição do planeta.

Uma premissa simples que entre viagens a marte e diversos Flashbacks consegue demonstrar ao mesmo tempo a simplicidade e a enorme complexidade do ser humano. Isso fica obvio quando vemos Dr. Manhattan (Billy Crudup), o único super-herói de todos (por ser o único com poderes reais), enfrentando o dilema de não ser mais considerado humano e, portanto, se tornando extremamente solitário.

Saindo um pouco do enredo para não criar spoilers temos a belíssima criação desse mundo imaginário que se forma pela presença dos heróis. Zack Snyder acertou no uso das cores e das formas, tanto nos uniformes como nos ambientes, que remetem a realidade da década de 80, algo criado por Dave Gibbons na sua arte e recriado para o filme da mesma forma que nos quadrinhos. Isso dá um tom ameaçador ao mundo que se formou, mas ao mesmo tempo inspira uma certa segurança nos ambientes internos. Todo esse trabalho consegue ainda ajudar a contar a história e deixar bem claro que o que vemos não é o nosso mundo, os zepelins que passam pela cidade e muito da arquitetura capturam a essência de como o mundo com o Dr. Manhattan seria diferente (algo mais explícito nos quadrinhos).

As atuações estão e são magníficas. As melhores são sem duvida a de Jackie Earle Haley como Rorschach e Jeffrey Dean Morgan como o Comediante. O primeiro captura a essência sociopata do herói puritano que vê o mundo com um asco tão grande que não se importa mais em matar para livrar a sociedade de seus desafetos. O Comediante também vê o mundo com nojo, mas a sua natureza bélica e sua aliança com o governo lhe dão forças para olhar de cima tudo que ele odeia na sociedade. Por isso também o Comediante é o personagem que mais se transforma ao longo do filme, saindo de um porco narcisista e se tornando um homem de moral falha e caráter dúbio que percebe o engodo em que vive e o que fez de errado.

Billy Crudup como Manhattan está muito bom, passando uma atitude serena em todas as cenas e a força do personagem em pouquíssimos pontos, conseguimos perceber através da atuação que o Dr. Manhattan é um homem que apesar de ser o mais pacífico possível entende a natureza destrutiva do mundo que o cerca e sabe se defender quando se sente oprimido. Ozymandias (Matthew Goode), que era o meu maior medo (ele tinha cara de criança nas fotos liberadas ao longo da produção do filme), se torna magistral na forma como conscientemente ele mostra seu caráter e suas idéias diferentes ao mundo, além de mostrar carisma e afeição à humanidade ao ter que cometer sacrifícios para que as coisas funcionem. Patrick Wilson como o Coruja II está bem, poderia estar melhor por ser um dos personagens principais, mas não faz feio. Carla Gugino, uma atriz que eu adoro, faz muito bem com o pouco tempo de tela que ela tem interpretando a Espectral original, mas os méritos vão para a Espectral II (Malin Akerman) que além de ser muito bonita faz muito bem o papel de alguém que involuntariamente seguiu os passos da mãe e não sabe como seguir a própria vida.

Por fim, as musicas. Poderia passar dias discutindo todas as musicas do filme e seus motivos. Sei que algumas pessoas reclamaram das escolhas feitas por Zack Snyder, mas eu acredito que, tirando um erro ou outro, os acertos foram bem maiores que os erros. Hallellujah e 99 Luft Ballons estão totalmente fora de compasso, mas só essas são os exemplos.  Já falei da alegria de ouvir The times they are A-changin’, mas não posso esquecer da musica instrumental do filme Koyaanisqatsi usada na seqüência de Marte (que me deixou arrepiado), de All Along the Watchtower tocada por Hendrix (mas novamente de composição do mestre Bob Dylan) e da solenemente ignorada The Beginning is the End is the Beginning do Smashing Punkings que é tocada no Trailer desse e ficou perfeita.

Tirando uns pequenos pecadilhos que comete com a própria natureza não heróica dos nossos heróis (alguns golpes exagerados) e com o fato de ser um filme violento (o que pode desestimular uma segunda visita para algus públicos) Watchmen é um filme que vale a pena pela poesia e mensagem que tenta passar, sendo que a mensagem não de ser confundida com uma mensagem anti-belica (ainda que essa exista) mas sim com uma mensagem sobre a condição na qual a humanidade se encontra e o que estamos fazendo uns contra os outros, com eu disse "O mundo acaba com você".

By Pato

PS: Ouvi muito sobre o fato do Comediante estar logo nos créditos iniciais atirando em Kennedy, algo que apesar de não estar no livro, na minha opinião, somente mostra o lado bélico do personagem. As pessoas que disseram não compreender por que colocaram o Comediante fazendo isso não procuram entender o próprio personagem e todas as suas motivações.

PPS: Desculpem o longo intervalo

TRAILER

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