10 outubro 2009

 

Quatro casamentos e um funeral - Mike Newell

A coisa sobre o humor britânico é que muita gente não entende e por isso detesta. Meu pai, por exemplo, quando assistiu ao Monty Pyton e o Cálice Sagrado veio brigar comigo por ter o dvd em casa e ter dito que era engraçado, quando ele achou tudo um grande absurdo.
Portanto, quando chegou aos cinemas o filme "Quatro casamentos e um funeral" lá no distante ano de 1994, muita gente não sabia o que esperar. Uma comédia romântica com humor britânico? Então com Andy MacDowell - na época muito famosa por lá, hoje em dia nem tanto - como guia, o público passeou pelos relacionamentos daquele pessoal absurdo e se apaixonou por duas coisas: humor britânico e Hugh Grant.

Como em toda comédia romântica, a preocupação não é construi um roteiro elaborado. Na verdade, isso pode até atrapalhar (como em Abaixo o amor, com Renée Zellweger). O importante são os relacionamentos. E Quatro Casamentos vai falar da dinâmica de um grupo de amigos solteiros, focando principalmente em Charles (Hugh Grant), que em 32 anos deixou um rastro de sangue por onde caminhou sua vida amorosa. Na temporada de casamentos, Charles e seus amigos têm que atender vários deles e é justamente em um casamento que nosso herói conhece a americana Carrie (Andy MacDowell), por quem se sente atraído instantaneamente. Acontece que Charles não é lá muito jeitoso com as mulheres e tem sérios problemas de relacionamento - tanto que ignora uma paixão platônica e muito evidente por parte de sua amiga Fiona (Kristin Scott Thomas) e só ouve reclamações de suas ex-namoradas - mas sua sorte é que essa falta de jeito é extremamente charmosa e o ajuda na conquista da primeira noite com a moça. Então, na manhã seguinte os dois se separam e Carrie volta para os Estados Unidos, dizendo de brincadeira que ao não se casarem talvez estivessem perdendo uma grande oportunidade.
Meses depois se encontram novamente, nas bodas de um casal que se formou no casamento anterior. Para a decepção de Charles, Carrie o apresenta a seu noivo. A noite só piora quando Charles é colocado na mesma mesa que várias ex-namoradas e ele acaba encontrando com a pior de todas, Henrieta (chamada pelos amigos de "cara de pato"), com quem o rompimento foi muito difícil. Depois de uma noite muito constrangedora ele vai embora e acaba encontrando Carrie novamente e eles passam mais uma noite juntos.
Algum tempo depois chega o convite para o casamento de Carrie na Escócia, para onde a trupe dos solteiros segue. E na recepção desse casamento ocorre a morte de alguém muito querido e, como numa onda, vários segredos são revelados e todos têm a oportunidade de refletir sobre suas vidas e que talvez seja a hora de crescer.
Para Charles, crescer significa se casar e é isso o que ele pretende fazer. Mas as coisas não terminam da forma mais óbvia. Na verdade, é o tal do absurdo que torna o filme muito engraçado e inteligente.
A história é contada como no título, com quatro casamentos (cada um com um problema diferente) e um funeral, mostrando a mudança naquele grupo de pessoas a cada um desses eventos. Mas a graça está nos detalhes. Algumas piadas são hilárias e a participação de Rowan Atkinson (o Mr Bean) como um desajeitado padre é inesquecível. Primeiro por que em seu discurso ele, entre outras coisas, insiste em errar o nome da noiva e acaba abençoando os noivos em nome do Pai, do Filho e do "espírito manco". E também porque foi a primeira vez que eu ouvi o Mr Bean falar.
O elenco todo veste muito bem seus papéis, tornando os personagens reais, mesmo que você passe o filme inteiro pensando que nunca agiria da mesma forma e dando graças por não ser com você. Essa é outra coisa sobre as comédias românticas: elas constrangem e dão uma baita vergonha alheia. Mas aqui tudo é muito sutil e orgânico, não ofende a audiência.

Quatro Casamentos e um Funeral é leve e divertido. Adorável, na verdade (os ingleses adoram dizer "lovely"). E não pense que é uma catequização sobre o casamento. É mais sobre como o segredo de um bom relacionamento está em ser a pessoa certa e esperar o momento certo. O resto se arranja naturalmente, só precisa paciência.


PS: Preste atenção ao discurso do funeral. É um dos momentos mais bonitos e tocantes do cinema.

Marcadores: , , , , , , , , ,


08 outubro 2009

 

Extraordinariamente ordinário: Especial Casamentos

Como Deus e alguns leitores e colaboradores deste blog já sabem, este mês de outubro começou com uma trilha sonora muito parecida com a marcha nupcial tocando baixinho no background. Então, com a contagem regressiva para o segundo evento mais importante da vida social deste blog, outubro será o mês dos casamentos aqui no ofedesque. Traremos a vocês alguns dos filmes que nos fazem querer encontrar (ou evitar!) a tampa na nossa panela, um vestido branco e um padre - não necessariamente nessa ordem. Dá uma olhada:

Quatro casamentos e um funeral
Penetras bons de bico
Vestida para casar
O pai da noiva

Muita festa por ai e muito humor também, porque esperamos que um casamento seja um evento feliz e alegre. E com alguma tia chapada dando vexame dançando a macarena.
Estamos cientes de que muitos casamentos importantes ficaram de fora da diminuta lista, mas o tempo é curto e o diabinho ainda deu pra correr. Então, aproveitem as dicas e entrem no ritmo da marcha. Sobe o som!

This page is powered by Blogger. Isn't yours?