14 abril 2008

 

Golpe de Mestre - George Roy Hill




Antes de escrever qualquer coisa eu tenho que admitir que tenho um fraco por filmes de golpe. Onze homens e um segredo, os Vigaristas, Confidence, todos esses filmes me animam pois todos eles tem algo em comum, você não sabe como é o golpe até o final do filme. O irônico disso tudo é que Golpe de Mestre não segue esse mesmo padrão e mesmo assim se mostra levemente superior a esses filmes (eu disse levemente, afinal esses filmes são muito bons).

Golpe de Mestre começa quando um golpe dado por Johnny Hooker (Robert Redford) dá certo, mas atinge o chefão do crime Doyle Lonnegan (Robert Shaw), que se mata o parceiro de Hooker por vingança e coloca um assassino em sua cola. Ele então procura Henry Gondorff (Paul Newman), um golpista especializado em golpes longos (que necessitam de tempo para arrancar muito dinheiro da vitima) para aplicar um golpe em Doyle Lonnegan e tirar aquilo que ele mais preza: muito dinheiro.


O golpe em si fica extremamente claro logo que Doyle entra na história montada por eles. Não é nenhum segredo o que eles pretendem fazer para enganar o bandido e também não é nenhum segredo como eles vão fazer isso, o mais interessante de tudo nesse filme é exatamente estar participando da história com eles e se sentir enganando Doyle até o final (que mesmo assim não deixar de ter sua grata surpresa).


Na verdade, apesar do golpe ser muito bom, o melhor do filme mesmo são os golpistas. Ao longo da projeção vemos pequenos golpes e truques e percebemos como agem e pensam todos eles. E a caracterização dos atores é impecável. É interessante de se ver afinal que todos os golpistas que participam do golpe, sejam experientes ou não, são tratados como parte do grupo e todos se ajudam para que nada dê errado, o que cria uma caracterização interessantíssima e bem profunda de todos os personagens, inclusive dos secundários (que às vezes se tornam tão personagens quanto os principais, mesmo que seja apenas por momentos).

Muito ainda se deve á direção de George Roy Hill que não só retrata a época com fidelidade (a lei seca, as casas de jogo, as máfias e a recessão), mas também ajuda a construir os ambientes que por um motivo ou outro se tornam parte da narrativa, das motivações e do futuro e passado dos personagens. É só perceber as roupas de Kid Twist: ele está sempre bem vestido e sempre faz os papeis mais intelectuais, mesmo assim é visível pela maneira que ele interage com os outros que ele não se acha melhor ou pior que ninguém ali. Ele chega com uma roupa elegante e sai com outra, mas só, no fundo é um golpista como outro qualquer.

Falhando apenas no arco narrativo que mostra o assassino no encalço de Hooker (uma surpresa idiota e dispensável), o filme cumpre o que promete de maneira capciosa, já que ele mostra que mesmo mostrando tudo nem todos podem ver o resultado final, e mesmo sabendo o que irá acontecer não podemos deixar de perceber que, afinal, eles são golpistas e mesmo nos sentindo no seu grupo, podemos muito bem ser enganados (e não me importo ser enganado mais de uma vez dessa maneira).

By Pato

Ps: Percebam que o golpe em si é um trocadilho que ocorre no ultimo segundo e que funciona melhor em inglês do que em português (se é que funciona em português).

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O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford - Andrew Dominik



Existem duas maneiras corretas de se fazer um filme que baseado em personagens históricos controversos. A primeira é brincar com essa figura e tratá-la com humor e ironia (como por exemplo Bill e Ted fizeram), a segunda maneira é fazer uma recriação de sua vida da maneira mais acurada possível e, principalmente, sem tomar partido ou amenizar certos aspectos.

Ao tentar fazer a segunda opção que O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (que a partir desse momento chamarei de O Assassinato) falha. Ele cria figuras extremamente tridimensionais e explora os medos, motivações e frustações de todos os envolvidos, incluindo Jesse James, mas o filme realmente tenta passar uma história que, apesar de poder perfeitamente ser a verdadeira, não necessariamente é.

Acompanhando a carreira de Jesse James (Brad Pitt) a partir do momento em que Robert Ford entra no seu bando, o filme foca nas relações conturbadas entre as pessoas do bando. Afinal todos eles tinham graves distúrbios sociopatas já que além de roubar não se intimidavam em matar, bater ou atacar pessoas. Contando com grandes interpretações todos os integrantes do bando de Jesse James são por si só figuras muito interessantes, mesmo que sejam, de uma maneira ou outra, assustadoras.

Robert Ford (Casey Affleck) é só um exemplo, Sam Rockwell interpreta seu irmão como um sujeito medroso e falastrão, que busca se impor apenas sobre aqueles que julga mais fracos que ele (seu irmão por exemplo), mas que, presente no assassinato de Jesse James, percebe a força do irmão e nunca mais consegue atacá-lo diretamente. A história de Dick Liddil (Paul Schneider) e seu confronto com outro membro do bando, Wood Hite (Jeremy Renner), não é só marcante como também serve de estopim para vários acontecimentos da história. Além disso os dois atores conferem uma atuação onde se percebe a crescente animosidade dos dois personagens, que só é rivalizada pela necessidade que eles tem de trabalharem juntos. Outro exemplo é a pequena mas interessante caracterização de Sam Shepard como Frank James (irmão mais velho de Jesse e também líder do bando) com pouco tempo de tela ele consegue demonstrar o apego e o desprezo pelo irmão e suas escolhas, isso sem contar a liderança de um grupo em constante mutação (tirando os 5 ou 6 fixos o grupo chegava a ter 20 pessoas todas da região do assalto).

Mas falar do Assassinato sem falar das atuações de Casey Affleck e Brad Pitt não é fazer jus ao filme. Brad Pitt está extremamente desafiador como Jesse James. Ele construiu o personagem de forma tão forte que nós entendemos o motivo pelo qual todos se comportam com extrema cautela ao lado dele (inclusive seu irmão). Na verdade o único momento no qual Brad Pitt peca é exatamente quando Jesse varia de humor. Nos momentos em que tem que se mostrar sério e desafiador ele atua de maneira impecável, mas logo no momento seguinte quando tem que rir de seu bando ele soa exagerado, como se encontrasse dificuldades para fazer essa mudança.

Casey Affleck, por outro lado, não falha jamais como Robert Ford. Começando a narrativa como uma pessoa inocente e juvenil, passamos a perceber como ele nunca se dará bem no mundo que ele quer viver (assaltando trens e bancos). Mesmo assim seu crescimento se dá de forma constante, levando-nos a perceber exatamente por que ele levará a cabo o título do filme. Perceba por exemplo a diferença de quando ele saí da casa de Jesse depois de passar um tempo com ele e como ele entra na segunda vez, mais decido e não se importando com a sua situação e o incomodo que ele causa. Alias esse é o principal ponto sobre Robert Ford retratado na atuação, sua admiração por Jesse James é tamanha que ele realmente causa incomodo a todos nós e aos personagens da narrativa.

Portanto, volto na única e maior falha do filme. Ao invés de tornar ambíguo e deixar-nos especular sobre os motivos de Robert Ford, o filme resolve tratá-lo como um herói que prestou um serviço ao seu país e nunca foi reconhecido por isso. Pode ser que isso seja verdade, mas como nunca saberemos o mais interessante seria transformá-lo em um personagem ambíguo, de moral deturpada pelo seu ídolo e pelas companhias que tinha, afinal isso não deixa de ser verdade, mas infelizmente o filme obriga você a torcer por ele e acreditar que ele não foi o covarde que atirou em Jesse James pelas costas.

By Pato

Ps: O filme é extremamente devagar, mas isso não interfere na narrativa. Por isso, julguei desnecessário discorrer sobre o assunto.

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Stardust, O Mistério da Estrela Cadente - Matthew Vaughn



Tolkien é material de referencia para tudo que envolve fantasia. Pode não ter sido ele o criador do gênero (realmente não sei se é), mas o importante é que desde o Senhor dos Anéis tudo quase baseia no mundo da fantasia medieval tira claras referencias das obras de Tolkien, sejam RPGs, Quadrinhos ou Livros (e conseqüentemente filmes). Por isso, Starduts é um filme tão primoroso. Ele reconhece a fantasia como um gênero antigo, com espectadores que não precisam ser necessariamente crianças. Ele nos anima, nos atiça, coloca piadas bem adultas e uma aventura genial, isso sem jamais esquecer seu motivo principal, o romance.

Escrito por Neil Gailman (criador de, entre outras coisas, o aclamado Sandman) Stardust não esconde nem por um segundo sua natureza adulta, seja não se explicando nunca por completo (algo que seria muito difícil de ser acompanhado por crianças), seja pelo seu humor ou seja pelas insinuações. Apesar disso, o filme se mostra infantil o suficiente para que qualquer pessoa assistindo possa, com um culposo prazer, embarcar na aventura que ele se propõe. A atmosfera do filme se torna assim como um desejo secreto, algo que somente os adultos podem entender e apreciar, já que mexe com fantasias que todos temos ou tivemos quando crianças, mas tivemos que deixar para trás.

Formado por um pequeno elenco de estrelas próprias e outras em ascensão o enredo conta a história de Tristan Thorn (Charlie Cox) um rapaz que está apaixonado pela garota mais bela da cidade (não é sempre assim?) a jovem Victoria (Sienna Miller). Quando ela diz a ele que está prestes receber o pedido de casamento de um outro homem e que Tristan não tem a menor chance, uma estrela cadente cruza o céu e nosso herói diz que pela mão dela ele irá atrás da estrela. O problema é que estrela é uma mulher Yvaine (Claire Danes – Perfeita para o papel) e atrás dela estão pessoas diferentes por motivos diferentes. A bruxa Lamia (Michelle Pfeiffer) quer Yvaine para recuperar sua juventude. Os príncipes Primus (Mark Strong) e Septimus (Jason Flemyng) querem um medalhão que está sendo usado pela estrela, pois esse foi o ultimo desejo de seu falecido pai para suceder o trono.

No meio de tudo isso temos uma história de amor. Como eu disse antes ela é o motivo principal do filme e faz jus ao fato. O diretor (Matthew Vaughn) consegue mesclar todos os elementos da história (que não são poucos: humor, fantasia, suspense, para citar alguns) mas sempre faz o romance se sobressair. Isso sem torná-lo piegas ou sentimental demais. Tudo no filme ocorre com naturalidade e aos poucos sabemos que por mais que seja obvio aonde tudo irá terminar é o caminho que importa.

Nessa bagunça de histórias, os personagens entram no caminho um dos outros, e assim acabam por se enfrentarem. É nesse ponto que o diretor acerta mais ainda, criando cenas que certamente foram feitas para adultos e situações mais interessantes que são mais apreciadas pelo público (o envelhecimento de Michelle Pfeiffer é um toque especial). O diretor usa muitos efeitos para ajudar a contar sua história, mas infelizmente não acerta a mão em todos. Alguns são magníficos e outros parecem mesquinhos. Mas no final a história é contada com muitas boas interpretações e um enredo interessantíssimo, algo que é difícil de encontrar.

Contando ainda com um elenco de apoio de grande calibre ( os fantasmas estão ótimos e Robert DeNiro um pouco exagerado, mas a melhor ponta é de Rupert Everet como um dos príncipes no inicio da narrativa, pisque e irá perde-lo) Stardust é um filme imperdível. Lançado em Outubro de 2007 esse filme acabou com uma estiagem de filmes realmente bons daquele ano.

By Pato

Ps: Impressão minha ou Sienna Miller só faz papel de garota mimada? Gostava dela em Kenn Eddie mas agora ela só me enche o saco.

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13 abril 2008

 

Desejo e Reparação - Joe Wright




Desejo e Reparação é um filme que eu só fui assistir por que fui obrigado. É sério, não sou muito fã de corrida do Oscar e fico querendo ver todos os filmes que envolvem essa premiação. Por esse motivo, sou obrigado a me redimir, e dizer que, Desejo e Reparação é um filme muito bom, parado, mas muito bom.

Vamos começar pelo parado. Esse é aquele tipo de filme que até a musica demora pra engrenar, em que as cenas demoram o tempo que for necessário para se explicarem, para tomarem a ação, e para continuar a história. Eu sei que isso afasta muita gente de um filme como esse. Afinal, acostumados com filmes de ação, terror ou suspense eletrizantes (e por que não romances e comédias também), é complicado sentarmos para sermos carregados por filmes que são, em sua maioria, versões cinematográficas de uma tartaruga (tombada). Mas, mesmo assim, se você respirar fundo, segurar uma vontade de gritar de desespero que vai lhe acometer de vez em quando, você irá embarcar em uma jornada que no final fará você se sentir muito surpreso, no bom sentido.

A história é simples, Briony Tallis (Saoirse Ronan – Que me assustou com esse papel e talvez por isso concorreu ao Oscar) é uma precoce garota de 13 anos na Inglaterra pré-Segunda Guerra. Sua irmã Cecilia Tallis (Keira Knightley) é a irmã mais velha e engajada da família (que por sinal está no meio de sua decadente descida social). Briony vê sua irmã em uma cena com o jardineiro Robbie Turner (James McAvoy) que ela não consegue entender e começa a sentir ciúmes. Mais tarde no mesmo dia ela provoca uma situação que afeta a vida de todos. O filme então foca na vida dessas pessoas durante a Segunda Guerra, e as conseqüências do ato de Briony.

É por isso que o filme se difere muito do que eu já vi. A história de pessoas que cometem erros de julgamento e acabam umas com as vidas das outras não é estranha, mas esses personagens são totalmente diferentes do que é o normal. A começar por Briony, que como eu disse era precoce, mas que mesmo assim é uma criança e vê o mundo com esses olhos. Depois Cecília, que é engajada com o mundo e não se importa com as situações financeiras da família. Ela pertence a esse meio mas não faz questão de mantê-lo. Por fim, Robbie, que vem de origem humilde, quer subir na vida mas não toma caminhos obscuros para isso, apesar de que muitos poderiam dizer que sim. Outro motivo da diferença é o segundo ato da história, durante a guerra, enquanto vemos o futuro de todos os personagens e como Briony percebe seus erros, isso tudo ocorre de uma forma triste e fluida que acaba exatamente com um corte abrupto para o terceiro ato. Nesse ponto o filme amarra tudo o que ele prometia e cria um terceiro ato que te pega toa desprevenido e não tem como não se sentir triste e enganado, criando um sentimento difícil de explicar na ultima cena.

Contando ainda com uma trilha sonora que utiliza sons do cenário (batidas, maquinas de escrever, conversas) para criar sua composição marcante esse filme deve ser visto ainda uma vez. Nem que seja para uma discussão sobre a ficção no cinema e o efeito sobre nós.

By Pato

Ps: Briony durante a Guerra é interpretada por Romola Garai, que por sinal é muto bonita, menos no filme onde a sua maquiagem a tornou extremamente estranha.

PPs: Anthony Minghella antes de falecer participou desse filme em uma ponta bem pequena e fora da tela como o entrevistador. Foi seu único trabalho como ator.

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Campo dos Sonhos - Phil Alden Robinson



Se um filme cheio de cenas tristes te emociona é por que você foi tragado pela narrativa e se sente parte da história. Às vezes se identifica com o mocinho ou outro personagem que você torceu para não morrer. Pode ser que a sua vida seja daquele jeito ou talvez ela não seja, mas um dia possa chegar a ser. Ou seja, existem mil motivos para um filme carregado de tristeza te emocionar. Mas o que dizer quando um filme que somente mostra alegrias, boas escolhas, personagens marcantes, mas mesmo sabendo que você não tem a menor chance de estar na pele deles, te emociona? Bom, se você viu Campo dos Sonhos você sabe o que eu quero dizer com isso, se não, assista e descubra.

Campo dos Sonhos é um filme de fantasia, mas ao contrario de filmes comuns com essa temática, ele não se passa em um mundo diferente do nosso, em um passado distante ou em um futuro misterioso. Esse filme se passa em torno de um homem comum que se envolve em sua própria loucura. Uma loucura essa que move todos de uma maneira que nenhum personagem sai sem se sentir tocado. Nesse momento entra Ray Kinsella (Kevin Costner), ele cria um personagem que, obcecado pelas vozes que ouve em seu milharal (um sinal que pode ser considerado como loucura) vai atrás de respostas, pessoas, atos e até de sua família e glória. Ray é extremamente inteligente e sabe como seguir as parcas indicações que recebe ao longo da jornada, mas isso sem se tornar ridículo por ser exagerado em suas andanças e motivações.

No meio da trama Ray procura um escritor, Terry Mann (James Earl Jones) para ajudá-lo a entender o que ocorre. O mais mágico é como James Earl Jones cria um personagem cético no começo que aos poucos vai se envolvendo com a narrativa, em uma atuação gigante que consegue chamar toda atenção sem roubá-la dos outros personagens. Mas isso é pouco, o elenco é totalmente composto por personagens coadjuvantes que acreditando ou não na loucura de Ray, acabam se comovendo e se tornando parte desse universo mágico e fantasioso. Seja a mulher de Ray, Annie (Amy Madigan) ou o herói de Ray e de seu pai, Shoeless Joe Jackson (Ray Liotta). Por falar no Ray Liotta, tenho que admitir, sua composição para o personagem está um pouco seca e dura, mas quando você conhece sua história percebe que é indispensável que o personagem seja assim. Sua caracterização com o tempo ganha espaço na tela e o personagem cresce de forma absurda.

Mas como eu mencionei o pai de Ray, tenho que admitir: esse é um filme sobre como se reatar com a família, como o sonho de um homem pode mudar a vida de todos, seja esse sonho uma loucura ou não. Eu sei que isso soa clichê, mas é nesse ponto que o filme muda de figura, dentro desse clichê todo, de repente, o filme dá uma volta e te pega desprevenido, deixando-o totalmente sem chão e sem sabe como reagir. Mas afinal, é isso que constrói a narrativa do filme, seja piegas ou seja emocional, não importa. O que importa é que é um filme bem feito, bem atuado e muito bem produzido, que sabe exatamente quando e onde você estará mais vulnerável, e ai você está nas mãos dele.

By Pato.

Ps: E pensar que James Earl Jones é capaz de fazer um velhinho simpático e muito antes o próprio Darth Vader. Impressionante né? Mais impressionante é só o fato de que depois de fazer esse filme, Dança com Lobos e os Intocáveis Kevin Costner conseguiu fazer Waterworld. Mas eu não uso isso contra ele. Nunca.

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