25 setembro 2006

 

À Beira da Loucura - John Carpenter



Se ainda possui um VHS, você tem sorte. Os grandes filmes que ninguém viu estão nesse formato e qualquer um pode entrar em uma locadora bem antiga, ou uma mais recente que esteja se livrando de suas fitas de vídeo, e comprar grandes filmes a preço de banana. Isso é, até que esse filmes sejam trazidos para o DVD. Portanto se você for sair comprando filmes em VHS e for fã de grandes filmes de terror, compre primeiro "À Beira da Loucura", de John Carpenter.

Esse filme deve estar esquecido na prateleira da sua locadora favorita (supondo que ela possua VHS – a minha tem), e além de esquecido deve ter sido retirado no máximo uma dúzia de vezes. Normal, isso acontece muito com filmes de terror lançados na época pré-Pânico, aquele período na história onde, depois de Jason foi pra Nova York, as pessoas desistiram de gastar dinheiro com filmes de terror (até bem antes disso se pararmos para pensar).

Mas comparar esse filme com Pânico é injusto por dois motivos: o primeiro é que esse filme não tem o mesmo estilo de Pânico em nenhum aspécto, já que os poucos sustos que ele possui não são forçados, o vilão não é desconhecido e nem faz esforço para se esconder, e toda a narrativa é feita para criar um clima de desespero, nunca para assustar. O segundo motivo pelo qual não é possível uma comparação é que esse filme é infinitamente melhor que Pânico exatamente pelos motivos citados acima e, além disso, ele funciona.

A história pode parecer complicada do começo ao fim do filme, mas não se subestime: o filme não se esforça de nenhuma maneira para digerir o que está acontecendo ao mesmo tempo que não espalha pistas falsas para confundir demais o espectador. Isso o torna um desafio instigante e o constante uso da metalinguagem permite que a cada nova descoberta percebamos que estamos presenciando uma estrutura difícil de ser vista. Tanto hoje como a muito tempo atrás, filmes como esse não são feitos pelo simples fato de que poucas pessoas são loucas o suficiente para pensar em um roteiro tão insano quanto esse. Talvez por isso seja interessante notar que a estrutura do filme é muito bem elaborada, pois seria fácil para o diretor (que também é o roteirista, o que ajuda muito) se perder em tantos exercícios de linguagem.

A história começa quando um investigador de seguros chamado John Trent (Sam Neill) resolve achar um autor desaparecido chamado Sutter Cane. Esse autor estava escrevendo uma obra sobre a cidade de Hobb’s End e desapareceu nessa própria cidade. Como a obra que ele estava escrevendo estava segurada, a companhia manda John atrás dessa cidade (que não existe em nenhum mapa), do autor (que está incomunicável a semanas) e da obra (que tornou louca a única pessoa que a leu). Com isso John vai atrás de Sutter e descobre por que suas obras têm uma influência tão grande nas pessoas que as lêem.

Nesse espírito de loucura o filme consegue de uma maneira excepcional misturar realidade com fantasia de uma maneira única. Sabe aquela história de sonho dentro do sonho dentro do sonho? Nesse filme o número de vezes que isso acontece é absurda, mas nunca a ponto de fazer o espectador se confundir ou de soar irritante. Quase todas as vezes que isso acontece o espectador é pego de surpresa, já que nunca imagina o que realmente está acontecendo, e as vezes que o espectador sabe que o personagem está em um sonho tem um efeito ainda pior, o espectador fica aterrorizado pelo fato de que como o pesadelo anuncia a realidade.

Nesse clima de desespero e surpresas (não necessariamente sustos) o filme vai se tornando tenso, deixando para os 20 minutos finais uma força tão grande que é capaz de faze-lo sufocar de antecipação. Por isso, quando o filme acaba, percebemos que nada, desde o começo, parecia o que era, o que faz com que o filme peça uma segunda visita. Ainda bem que você está no conforto do lar, e a fita é alugada, permitindo que você reveja o filme várias vezes, por que se fosse no cinema e demorassem demais para acender as luzes, muitas pessoas seriam capazes de adquirir a loucura do filme, e rirem histéricas no final.

By Pato

Ps: Como aqui no Brasil o pessoal tem uma mania idiota de dar o mesmo título para vários filmes não se engane, o À Beira da Loucura que eu recomendo é esse, com o Sam Neill e dirigido pelo John Carpenter, qualquer outro com o mesmo título eu nunca vi e não posso recomendar.

TRAILER


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