14 setembro 2006

 

Moulin Rouge - Baz Luhrmann




Verdade, Beleza, Liberdade e, acima de todas as coisas, Amor. Esses são os elementos que o australiano Baz Luhrmann usa para construir sua história.

Na França do século XIX o jovem Christian (Ewan McGregor) desembarca em busca dos ideais boêmios citados acima, tentando a carreira de escritor. Ao entrar em contato com um glamuroso submundo, o famoso bordel Moulin Rouge, ele acaba por se apaixonar pela mais bela cortezã: Satine (Nicole Kidman), o diamante cintilante. Seu amor tem como obstáculo o possessivo Duque, patrocinador da casa e mais valioso pretendente de Satine.

Apesar do enredo simples e frágil, o diretor usa de todo o seu talento para fazer com que Moulin Rouge tenha a sua marca. As cores fortes, os movimentos rápidos de Câmera, o som marcante e os cortes secos, característicos de Luhrmann, manipulam nossas emoções e nos arrastam para a atmosféra do filme, muitas vezes nos dando a sensação de que o céu e o inferno podem ser muito parecidos com aquilo que estamos assistindo.

Mas são os personagens secundários que deixam Moulin Rouge tão colorido. Um elenco excepcionalmente talentoso, com John Leguizamo como o lider boêmio Toulouse-Lautrec, Jim Broadbent incrivelmente marcante como Harold Zidler, Richard Roxbourgh como o odioso Duque e outros rendem ao filme as cenas mais interessantes. Até um argentino que sofre de narcolepsia podemos encontrar! A carga dramática de que o filme exige recebe resposta a altura de todo o elenco. Ninguém fica apagado, todos são tão energéticos e alucinantes quanto o ritmo da vida de seus personagens.

É impossivel citar a beleza da fotografia e ótima escolha de elenco de Luhrmann sem enaltecer ainda mais sua grande sacada: a trilha sonora. Sim, o australiano ousou ainda mais e Moulin Rouge é um musical. Com apenas uma canção inédita, a trilha de do filme é contemporânea e os números musicais são mais que perfeitos. Nos temos Elton John, Beatles, Witney Houston, U2, David Bowe, Nirvana e muita coisa que vai te fazer cantar junto em algumas cenas. As músicas são reinventadas dentro do filme como no meu número favorito: o Tango de Roxanne (agora você entendeu por que raios alguém colocaria um argentino narcolepso no filme). A canção antes entoada por Sting ganha novos instrumentos e fica deliciosamente interessante. Um detalhe: todos os atores cantam. E muito bem. Não estamos falando de cantar como em “Todos dizem eu te amo”. Estamos falando de atingir notas dificeis e fazer o seu queixo despencar levemente ao ouvir Ewan lamentando “come what may” pela última vez.

O estilo teatral de Mouling Rouge pode não agradar a todos. Muitos acharão enfadonho ver um monte de adultos cantando e dançando, ou ainda achar a história boba e previsível. Mas para aqueles que estão em busca de Verdade, Beleza, Liberdade e, acima de todas as coisas, Amor, regados e muita música, o filme é deleite.

No final, quandos as cortinas do Moulin Rouge se fecham, eu tenho vontade de aplaudir de pé e pedir bis. Felizmente, tudo que preciso fazer é apertar o play do DVD. Mas cuidado: Moulin Rouge vicia.

TRAILER

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