24 setembro 2006

 

Premonição 3 - James Wong

Esse Post foi republicado do dia 14/09 por defeitos na sua publicação original. O texto desse post não foi mudado em função disso


A coisa mais engraçada sobre as continuações é que os produtores não se deixam levar por pequenos contratempos, como o fato dos atores diretores e roteiristas do filme original resolverem não participar de seqüências, isso ocorre principalmente em filmes de terror onde a maioria dos personagens, senão todos, morrem e, portanto, fica impossível trazer o ator novamente (salvo casos de zumbis, fantasmas e, o mais assustador caso de todos, pré-continuações).

Sendo assim uma coisa que beneficiou muito Premonição 3 foi o fato do Diretor/Roteirista do primeiro filme, James Wong, estar de volta no terceiro.

Isso realmente ajuda a criar um clima melhor na história, já que, responsável pelo primeiro filme, James Wong tem total idéia do que a morte faz e como ela age. Isso traz para o filme um apelo melhor do que o segundo, mas não tão forte como o primeiro.

O que realmente distancia esse filme do primeiro não são os atores, já que eles na época não eram o melhor exemplo de atuação (não que esses do terceiro filme sejam, os momentos em que a mocinha conversa com a irmã são canastrice total), o que realmente prejudica o filme é a falta de um motivo melhor para unir os personagens, eles não são realmente amigos ou conhecidos como no primeiro filme, eles não se unem como no segundo, na verdade eles são apenas pessoas que calharam de estudarem juntos e estarem no mesmo lugar no mesmo instante. Por exemplo, em um certo momento um dos personagens até diz ao outro “O que você está fazendo aqui? Você nem é do nosso ano.”, e a resposta é simplesmente que ele está ali por que queriam que ele estivesse, não importa se ele não é do mesmo ano, o que importa é que todos vão estar juntos no mesmo acidente, na montanha-russa. Por falar na montanha-russa, um dos meus maiores problemas antes de ver o filme era o fato de Premonição, se passar em um brinquedo que, acreditava eu, não traria grandes seqüências. Ledo engano. A seqüência da Montanha-russa é brilhante e vai acabando com os personagens de diferentes formas, sejam elas trágicas, sejam elas tristes (como quando um personagem assiste uma pessoa que gosta morrendo e podemos perceber que ele tentou ajudar sem sucesso) ou sejam elas gráficas e viscerais. Diga-se de passagem a série Premonição consegue sempre trazer nessas seqüências das mortes que não ocorrerão sempre ótimas idéias e efeitos.

Obviamente o filme possui alguns defeitos, como o fato da montanha-russa ainda quebrar, mesmo que na visão da mocinha o acidente tenha sido causado por um personagem que saiu do brinquedo com ela; o fato da morte não ser tão marcante em algumas cenas (afinal o que o primeiro e o segundo filme faziam com maestria era mostrar que, mesmo não podendo ser vista, a morte estava lá criando uma armadilha para cada personagem enquanto nesse filme alguma vezes cheguei a me perguntar se a morte estava realmente por trás de tudo); e um pouco de nudez gratuita que pode fazer uns rapazes felizes mas certamente vai desagradar as namoradas.

Mas o filme sabe se desenrolar muito bem, já que as mortes seguem a seqüência que deveriam ter acontecido no acidente, e já que os personagens vão descobrindo aos poucos essa seqüência (o que acaba por não criar aquela coisa de grupo que havia nos outros filmes, como eu já disse) isso acaba por dar uma dose a mais de realidade no filme, já que, como eles não estão unidos, cabe ao mocinho e à mocinha avisar aos outros, e sendo assim os próximos na lista sempre enxergam os avisos como loucura, e as vezes até com muito sarcasmo. Outro fator nas mortes que enriquece o filme é que tirando uma ou outra visão a mocinha não tem dons premonitivos, na verdade ela descobre que as mortes ocorrerão de uma maneira criativa, mas angustiante, já que esse tipo de premonição (que não vou dizer quela é pra guardar a surpresa) possui muitas interpretações, e o filme sabe tirar proveito disso, rendendo grandes sequências, a melhor sendo a do caminhão, na minha opinião.

As seqüências das mortes, apesar de serem mais viscerais e bem menos elaboradas que nos primeiros filmes (com algumas exceções), possuem um toque extra que me agradou muito, o fato de que muitas das vezes as próprias pessoas causam as suas mortes. Isso foi muito bem explorado, pequenas ações de descaso e de descuido que em uma seqüência maior matavam os personagens. Isso sem contar que o filme continua com aquele humor mórbido que só realmente a morte pode apresentar, muitas vezes você se pega pensando no filme “Certeza, agora ele vai morrer por asfixia. Ah! Droga! Foi um acidente de ônibus” e isso se torna ao mesmo tempo surpreendente e gratificante.

Por fim esse realmente se mostrou um bom filme de terror, que deixa você mais apreensivo do que lhe causa sustos, e me pareceu bem filmado (apesar de ser meu olhar péssimo com os aspectos técnicos) apresentando uma fotografia que ao mesmo tempo que era forte e violenta se mostrava quente e viva, ao contrario do que um filme desses tenta passar.

Mesmo assim o final pode desagradar muita gente, mas me agradou muito pois resumiu tudo o que o filme passou em alguns minutos, se você não se importar de ser deixado no literalmente no escuro acredito que também irá gostar (preste atenção em 2 segundos de barulho quando a tela apaga).

By Pato

Ps: Se você prestar atenção nos créditos iniciais do filme são apresentados cartazes de aberrações de circos tipicamente americanos. Esses cartazes são bem premonitivos também.

TRAILER

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