12 setembro 2006
Três é demais - Wes Anderson
Existem filmes que são lançados todos os anos e alcançam a alcunha de ame-os ou deixe-os. Moulin Rouge foi assim, Sin City foi assim, Kill Bill foi assim e qualquer filme de Wes Anderson é assim.
Nada contra ele, na verdade eu sou um dos que ama os filmes dele, mas tenho que obrigatoriamente assiti-los sozinho pois poucas pessoas que conheço gostariam de assistir comigo.
Estranhamente ou não, um dos primeiros filmes dele, Três é demais, é uma pequena exceção a regra. A maioria das pessoas não irão amar o filme, mas vão se sentir bem contentes com a história e podem muito facilmente desejar ser o protagonista. Não que ninguém irá odiá-lo, mas nesse caso ainda existe um meio termo.
O protagonista, Max Fisher (Jason Schwartzman), é um dos maiores exemplos de como deveriam ser os protagonistas de todas a comédias colegiais (mesmo as de John Hughes). Ele não é o sujeito mais adorado da escola, mas também não é o mais ignorado. Ele consegue fazer parte de todos os cursos e clubes extra-curriculares (coisa de escola americana), isso se ele não funda o clube ele mesmo. Isso faz dele um misto de nerd com o gostosão popular com amigos e inimigos, só que com a principal diferença de que quem odeia ele tem um motivo justo e inteligente para isso e não apenas uma necessidade do roteiro de criar inimigos para Max.
Max vive cercado de pessoas que o idolatram, e você percebe que a personalidade forte e magnética que ele tem justifica as pessoas a sua volta, e você consegue perceber que aquelas pessoas fariam tudo por ele, já que ele sabe comandar e sabe também cuidar de quem o ajuda.
Isso o leva a conhecer Herman (Bill Murray, num dos melhores personagens do filme). Herman é um homem casado, mais velho, rico e um dos maiores filantropos da escola, tem dois filhos que estudam junto com Max e são completos idiotas, ainda assim ele se mostra um dos sujeitos mais inteligentes que Max conhece, e isso traz à tona a depressão de Herman, já que vendo Max ele percebe quanto sua vida e família são fúteis.
Isso tudo acontece nos primeiros 15 minutos do filme, de uma forma tão rápida e econômica que leva tempo para perceber o quanto isso vai afetar a vida deles. Somente quando eles encontram e se apaixonam pela mesma mulher (Olivia Williams) que tudo começa engrenar e tomar a forma que nos leva a um final completamente diferente do esperado (mais ou menos).
O mais importante sobre o filme é o fato de que a realidade se mostra um pouco mais distorcida do que o normal, o que incomoda as pessoas. Só que na verdade esse filme se torna mais realista do que muitos filmes em Hollywood que as pessoas assistem e nem se importam (Pearl Habor é o maior e pior exemplo). Tudo no filme é exagerado, desde as coisas que Max faz na escola, até as reações das pessoas, mas tudo isso mostra como a vida realmente é, uma traição, por exemplo, tem suas conseqüências, mas isso não impede de trazer um final feliz, e a pessoa que trai não necessariamente não é o vilão da história.
By Pato
Marcadores: Bill Murray, Brian Cox, Comédia, Connie Nielsen, Drama, Jason Schwartzman, Luke Wilson, Olivia Williams, Seymour Cassel, Wes Anderson


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