17 outubro 2006

 

V de Vingança - James McTeigue




O fã de quadrinhos é uma criatura esquálida, cheia de ódio no coração, explosiva e acima de tudo, incompreendida por Hollywood. Eu sei, eu sou um (não um dos maiores, mas um desses que compõe a massa dos fãs de quadrinhos), e exatamente por ser um deles entendo todo o ódio que foi acumulando com filmes como, Elektra, Batman & Robin, Batman Forever, A Liga Extraordinária etc. Por isso quando anunciaram V de Vingança fiquei com o pé atrás, quando anunciaram que ia ser produzido pelos irmãos Wachowsky (Matrix Reloaded e Revolutions – Por que se fosse só pelo primeiro Matrix beleza, mas eles tinham que ferrar com tudo) fiquei com os dois pés atrás e quando anunciaram que Alan Moore achou esse filme a gota d’água e não ia endossar mais nenhum filme baseado nas obras dele (ia ser a terra do faça o que quiser com as obras de Alan Moore em Hollywood) eu me virei e sai correndo desse filme. Mas no instante que, por curiosidade, eu assisti o trailer de V eu voltei correndo e me ajoelhei pedindo perdão, e sabe o que é melhor, o filme cumpre o que o trailer promete, senão mais. Mas como nem tudo são flores (e para não dizer que não falei delas) V de Vingança é um filme ame ou odeie, mas essa reação não é tão evidente no espectador comum como é evidente nos fãs de quadrinhos.
Vou começar contando a história para aqueles que ainda não tiveram o prazer de ver esse filme. Evey (Natalie Portman) é uma garota que vive num futuro alternativo ao nosso, onde a Inglaterra sucumbiu a um regime fascista e hoje é dominada por um partido que priva a população de todos os seus direitos (não é isso que os fascistas fazem?). Depois de um desentendimento com a polícia desse regime ela é salva por V (Hugo Weaving), um justiceiro mascarado que mostra total desapreciação pelo regime e a força para acabar com ele, e ele demonstra isso em questão de minutos ao explodir um marco britânico. Exatamente nesse ponto o filme muda dos quadrinhos. Nos quadrinhos V está em uma cruzada pela liberdade do país, ele caminha nessa direção sempre provocando o regime com ações terroristas e pequenas vinganças pessoais. No filme não. No filme as estratégias são mais evidentes e V as mostra de maneira mais contundente. V, por exemplo, um dia após a explosão do marco britânico, entra em uma emissora de TV e diz que voltará dentro de um ano para explodir outro monumento, nesse caso, o Parlamento. É exatamente ai que o segundo V, o do filme, se distancia totalmente do da revista, um é um estrategista que guarda seus movimentos somente para si, nem Evey os conhece em totalidade, o segundo mostra exatamente qual será seu ultimo movimento, colocando nas mãos de seus algozes a função de descobrir como ele pretende chegar lá.
Por isso, o V no filme é muito mais instigante, nem nós nem ninguém sabe seus passos, nós o seguimos no escuro e permitimos que nos mostre a luz, o que é uma decisão muito inteligente do diretor, já que nos quadrinhos éramos espectadores enquanto ele explicava a Evey como sua mente funcionava, e nós apenas podíamos nos contentar em conhece-lo. Agora, podemos nos sentir como um de seus pupilos, aprendendo, como a Evey, a derrotar aquele sistema corrompido.
A Evey do filme também muda drasticamente do livro. No livro ela começa como uma garota inocente que vivendo sob as forças do totalitarismo de seu país tem medo de tudo e de todos e termina como uma nova esperança para reconstruir a Britânia. No filme, ela começa mais forte, e chega a fugir de V em um certo momento; mas mesmo assim ela tem muito à aprender sobre a sua força, e apesar de terminar muito mais forte e consciente ela não é como a Evey do livro e não ira reconstruir a Britânia, mas ela vê o mundo com outros olhos e essa visão pode se tornar o diferencial para o fim daquela forma de governo.
Tudo isso é para explicar que, é exatamente por esse motivos que V de Vingança é difamado pelos fãs de quadrinhos, ele queriam um filme igual ao livro, e não uma história vagamente baseada nos originais. Eu admito que A Liga Extraordinária criou uma histórica ridícula que não tinha nada a ver com o livro, e com isso ferrou tudo, mas no caso de V a história criada se encaixa tão bem com o cenário que vivemos que não podemos deixar de admira-la e entende-la como uma outra versão da história que gostamos. Uma versão que pode sim ser, tão boa quanto a original.
Isso mesmo, tão boa quanto a original, quem realmente não consegue ouvir a voz de Hugo Weaving como V e dizer “Poxa! Era assim mesmo que V deveria soar”. Quem tem coragem de dizer que além das referencias culturais de V (que, por sinal, são muitas vezes outras que não as do livro) ainda temos frases cativantes que desejamos do fundo do nosso âmago poder ter um dia a oportunidade de dizê-las dentro de um bom contexto, como, por exemplo, quando Evey pergunta quem ele é e ele diz ser paradoxal perguntar a um homem em uma mascara “quem ele é?”. Isso sem contar as milhões de cenas que, numa pratica constante da direção, são meros detalhes dentro de toda a trama, mas que quando revistos nos mostram momentos tão cativantes que sem se tornarem piegas ou ridículos nos tocam de uma forma contundente.
Agora com tantos pontos a favor, por que alguém (leia-se fãs de quadrinhos) não gostaria dessa obra? Bom, desconsiderando que nada nunca vai agradar a todos e existem pessoas que não gostam do estilo que esse filme possui, você tem que ver pelo lado de um fã. Ele ama a obra, e a conhece muito antes das massas terem o primeiro contato com ela, ele já discutiu a revista com quem ele podia e não podia e ainda fez questão de provar seus pontos de vista, o autor da obra diz que nunca mais endossa nenhum filme baseado nas suas obras e fala mal da produção do filme, mas não deve ser levado em consideração, pois apesar de estar certo sobre suas outras histórias que viraram filme, ele procurou qualquer motivo para reclamar desse e o único que eu fiquei sabendo foi sobre o nome da empresa de encomendas do filme, sendo que ele não se pronunciou mais depois do lançamento (que eu saiba), ou seja, se o filme é feito exatamente como a revista, ótimo ele ganhou uma maneira de comparar cena a cena o que ele conhece, mas se a história muda ele prefere xingar Deus e o mundo a reconhecer que uma história diferente pode ser boa, juntamente a obra original.
Mas quer saber? Assista o filme e leia os quadrinhos, forme sua opinião, diga qual é mais engenhoso ou mais divertido. Mas já vou avisando, a revista não tem a música dos Rolling Stones no final, a não ser que você ligue o som. E sejamos francos, fãs do filme ou não, é ou não é a melhor entrada de música no final de um filme?

By Pato

Ps: Vinicius, depois que você ler essa vai rolar o maior bate boca ai no seu trampo e quando a gente se encontrar. Isso vai ser muito engraçado. Só não falei do beijo que te deixou puto no filme e sobre os pais por que ia ser Spoiler demais.

TRAILER


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Comments:
Advogado do Diabo!!! Este tem a melhor entrada de música ao final de um filme!

Também é Rolling Stones, que falta de imaginação minha...
 
Tah, tenho q ver esse filme de novo, já nem lembro da musica :)
 

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