11 março 2008

 

Brilho eterno de uma mente sem lembranças - Michel Gondry




Ao longo da história do cinema muitas histórias de amor foram contadas das mais diversas formas. Com dramas e comédias, tragédias e casos do cotidiano. Mas não são numerosos os filmes de amor. Veja a diferença entre contar uma história de amor e retratar o amor nas suas diferentes formas e estágios. Brilho eterno é um filme de amor.

Mais uma vez o brilhante Charlie Kaufman constrói maravilhosamente uma história totalmente inusitada e inesperada, cheia de emoção, profundidade e distorcida realidade. O autor de "Quero ser John Malkovich" e "Adaptação" acerta na mão e conta a história de Joel Barish (Jim Carey), um homem desajustado e tímido que descobre que a ex-namorada, Clementine Kruczynski (Kate Winslet) fez um procedimento que apagou todas as memórias que ela tinha de Joel. Inconformado, ele decide apagar Clementine também, mas acaba se arrependendo no meio do procedimento e foge deseperadamente numa viagem dentro de sua própria mente para tentar salvar Clementine do esquecimento.

Por mais doloroso que seja terminar um relacionamento, muitas vezes simplesmente não conseguimos nos desfazer das coisas boas que sentimos ao lado daquela pessoa. São sentimentos que nos fizeram sentir completos naquele momento e é isso que Joel tentar guardar. Ele amou Clementine e isso está salvo em sua memória. Tempo nenhum pode mudar o fato de que ele se sentiu daquela forma e ainda sente, por mais que ele tente dizer o contrário.

O amor pode doer e Jim Carey toma o papel com tanta intensidade que nos faz esquecer de filmes como o Maskara e Ace Ventura, nos permitindo viver as dores e prazeres de Joel e seu amor. Ela já havia dado provas de que podia fazer dramas tão bem quanto fazia comédias físicas em "O show de Truman" e "Cine Majestic". Nesse filme vemos um Jim muito expressivo sem fazer caretas. Sua atuação é tocante e certamente trará algumas lágrimas aos olhos dos mais duros. Kate Winslet também desempenha seu papel com competência e nos permite amá-la e odiá-la como Joel faz. Ela sempre é ótima, então não vou me estender nos comentários. O filme conta também com ilustres coadjuvantes como Eliah "Frodo" Woods, um desengonçado Mark Ruffalo e até Kirsten "Mary Jane" Dunst numa suas melhores performances.

Com baixo orçamento, os atores se dispuseram trabalhar praticamente de graça para Michel Gondry, famoso diretor de clipes (vários da Bjork) que depois nos traria o bom "Science of Sleep" e o inédito "Be kind rewind". Gondry evita a computação grafica e prefere trabalhar com cenários complexos, o que facilita o trabalho do ator em um filme surreal como esse. A temática dos jogos da mente e da psicologia, marcante em Brilho eterno, se tornaram frequentes nos trabalhos do diretor.

Por mais maluca que a idéia pareça, assim como fez em "Quero ser John Malkovich", Kaufman torna plausível uma clínica que apaga memórias e diálogos absurdos se encaixam perfeitamente.

Um filme excelente para ser visto mais de uma vez, mesmo que algumas vezes tenhamos que ver sozinhos.

O espírito de todo o filme está na imagem de Joel deitado sobre o gelo com Clementine, a câmera se afasta e vemos um enorme trincado sobre o branco mostrando que às vezes o momento imperfeito, o relacionamento imperfeito, é aquilo que você precisa, que te faz feliz. Isso fica claro quando Joel diz "Eu poderia morrer agora, Clem. Eu estou simplesmente... feliz. Eu nunca senti isso antes. Eu estou exatamente onde eu quero estar".


TRAILER


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