05 março 2008
Cloverfiled - Matt Reeves

Até pouco tempo atrás, você podia achar na Internet, e acho que pode até hoje, filmes de montanha russa em primeira pessoa, acho que no Youtube deve ter até hoje e alguns simuladores de parques foram criados com essa idéia. Era um conceito interessante, conheça uma montanha russa que você teria muita dificuldade de visitar sem sair de casa ou de sua cidade. O problema é que na verdade era muito sem emoção, não tinha graça nenhuma e ninguém queria não sentir a emoção de andar na montanha russa.Um pouco antes, o cinema tinha nos apresentado um filme que, devido a um Marketing de Guerrilha e propaganda boca-a-boca, ficou muito famoso: a Bruxa de Blair. Usando também o conceito em primeira pessoa o filme apresentava a história de três pessoas que se perdiam em uma floresta e tinham aparecido mortas um tempo depois. Usando uma câmera de mão, esses três jovens se alternavam na apresentação de sua “jornada”.
Nisso chegamos a Cloverfiled, um filme que apresenta o mesmo conceito citado acima mas com uma diferença: se você estiver assistindo em uma sala de cinema (por enquanto é a única opção), você terá toda a emoção que um filme de montanha russa deveria ter e muito mais ação, suspense e, principalmente, uma trama muito melhor que a Bruxa de Blair.
O filme começa com um grupo de amigos se reunindo em um apartamento em NY para celebrar a despedida de um deles que vai para o Japão. O mais interessante é que a câmera digital usada no filme é tratada como uma câmera mesmo. Então, às vezes, os personagens param de gravar por um motivo e quando voltam eles não voltam no mesmo ponto da fita e estão pouco pra frente de onde tinham parado a gravação, nesse ponto o filme mostra outra gravação que existia antes na fita, o que revela imagens antigas que aprofundam certos relacionamentos. A festa também serve para apresentar os personagens, e para apresentar o espectador ao “cameraman” que ficará escondido atrás da câmera boa parte do filme.Uma das coisas que mais me irritou em A Bruxa de Blair era o fato de que o filme não tinha ação e a câmera tremia demais, causando um grave desconforto. Quando a ação começa em Cloverfield ela não para mais e em uma sala de cinema você se sente imerso nela. Tudo é bem feito e coreografado, os tiros as corridas, o monstro, as destruições, tudo é bem amarrado e faz você prezar pela vida dos personagens. Só que tudo isso acontece com uma imagem muito mais fluida e nítida que a de aBdB, acredito que isso se deva ao fato do filme se passar a noite (o que ganha pontos no suspense também). Mas, por fim, ele causa muito menos desconforto do que eu esperava.
Mostrando apenas pedaços de informação sobre o monstro e mostrando ele aos poucos, nós sabemos aquilo que os personagens sabem, e com isso nunca sabemos o que esperar. É claro que é Hollywood e sabemos que sempre podemos contar com sustos e suspense, mas a escassez de informação é vital para que, como os personagens, nos sintamos oprimidos e sem saber para onde fugir.
Com poucas mortes e com muitas delas fora da câmera (afinal quem gostaria de ficar olhando para as mortes enquanto filma) o filme ainda consegue ser muito original até na hora de deixar o monstro saciar a sua fome e apresenta alguns momentos muito inspirados de erradicação da raça humana (um jeito politicamente correto de dizer mortes, mortes e mais mortes), o que faz com que você diga “Nossa!” muitas e muitas vezes (sendo que eu, como muitas pessoas, usei muito mais palavras de baixo calão ao invés de Nossa!).Sendo incrivelmente divertido, misterioso (como não poderia deixar de ser já que o produtor do Lost é produtor do filme) e cheio de boas atuações de atores desconhecidos, Cloverfield é uma ótima opção tanto para quem gosta de filmes como para quem só quer se distrair.
By Pato
Ps: Quem consegue perceber o que acontece com uma certa personagem quando ela morre atrás de uma tela de plástico? Uma dica, momentos antes o filme mostra a resposta.
TRAILER
Marcadores: Ação, J.J. Abrams, Matt Reeves

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