11 março 2008

 

Assassinato por Encomenda - Michael Ritchie




Dentre os melhores filmes que ninguém viu existe uma sub-categoria que foi criada a partir do fato de que dois estilos de filmes não são levados a sério com o tempo. São dois estilos de filmes que praticamente nunca viram cults e são esquecidos pelos cinéfilos, somente com raras exceções entre seus títulos. Esses estilos são as comédias e os filmes de ação. A maioria dos romances, suspenses e dramas sobrevivem eras e eras, sendo reconhecidos como sinônimos de grandiosidade, O Poderoso Chefão, 2001, O Silencio dos Inocentes etc. Mas, pergunte por comédias e você ficará sempre com as mesmas respostas, “Quanto mais quente melhor” ou “Harry e Sally”. Se as respostas mudam, são tão dispares que não conseguiriam fazer uma pesquisa sobre isso. Os outros estilos não, as respostas obedecem padrões bem definidos e todos sabem o que significa um grande filme.
Nesse conceito, um grande filme que ninguém viu pode também ser um grande filme que é desconhecido por nossa geração, Assassinato por encomenda.

Vamos começar falando do Chevy Chase, o protagonista Fletch, ele era um grande comediante como só a década de 80 produziu. Rápido e sempre com grande carisma ele é capaz de disparar diversas piadas por segundo, sem perder o pique e o timing da comédia (algo fundamental para esse gênero). Chevy Chase ainda é um exemplo de comediante nascido de skets e criado pelo programa Saturday Night Live, o que normalmente significa que o ator está bem acompanhado nos filmes. Esse não é o caso com ele, ele segura o filme sozinho, e se tem bons coadjuvantes eles somente enriquecem a história ao invés de deixá-lo apagado.

O filme então mostra seu outro lado, como a concorrente ao Oscar Ellen Page estava amparada por um roteiro ágil de grandes frases de efeito, Chevy Chase está acompanhado por diversas frases que todos adoraríamos usar no dia-a-dia. É claro que nunca estaremos nas mesmas situações que ele, mas só de imaginar você dizendo para um policial, “O meu nome é Fletch, Fletcher F. Fletch” ou enquanto tenta parar um carro roubado de um adolescente, ele pergunta se Fletch é um tira ele responde “Sim, mas eu nem sei se roubar um carro é um crime ainda. As leis mudaram muito”. São frases rápidas que pegam todos os interlocutores desprevenidos e causam todo o tipo de reação. O filme se baseia nessas frases e isso o torna ótimo.

Então temos os disfarces. Além do humor e das tiradas o personagem, Fletch, que é um jornalista, vive se disfarçando para descobrir um furo de reportagem, só que os disfarces por mais elaborados que sejam, são muito cômicos. Temos um fiscal que teve o nariz quebrado, um hippie que anda de patins na praia, médicos e pacientes, tudo do jeito mais engraçado possível. Além disso, Fletch nunca parece ter noção de como é ficar disfarçado e sempre se atrapalha ao conversar ou até se apresentar para as pessoas (como na vez que, vestido como médico, ele diz três nomes diferentes e sempre tentando parecer Judeu).

Por fim, o filme apresenta dois arcos de história, ambos são importante o suficiente para mantê-los na narrativa mas nunca para sobrepor um ao outro ou ao personagem, que é o que carrega a história. Ambos esses arcos também são bem estruturados, e até certo ponto eles se cruzam para gerar mais suspense. Por fim, Fletch é um filme que você vê e revê dezenas de vezes e cada vez percebe que o personagem é uma criação quase perfeita, e que só não é perfeita pois não poderia existir.

By Pato

Ps: Minha cena favorita no filme é quando Fletch tem que investigar um médico e para isso pede um check up falso, ganhando então um inesperado exame de próstata. Sua reação é hilária. (quer ver? Entre aqui, ou melhor ainda, aqui se você realmente quiser spoilers)

TRAILER


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