05 março 2008
Mandando bala - Michael Davis

Tex Avery. Se esse é um nome que se não significa nada para você, coloque-o no Google agora e volte daqui a pouco. Eu espero....
Pronto? Ótimo, esse desenhista de mão cheia criou várias seqüências que de tão boas foram copiadas a exaustão por todos os desenhos animados. A mais celebre realização dele foi a malandragem do Pernalonga e todas aquelas perseguições malucas de todos os personagens da Warner.
Mas o que isso tem a ver com Mandando Bala? Tudo! Esse filme é exatamente uma grande e real homenagem ao mundo da Warner (que acredito ser intencional) e de seus desenhos. Isso faz com que o filme não possa ser levado a sério nem por um segundo, e ele deixa isso bem claro logo na primeira cena quando a cara de mau de
Clive Owen é subitamente quebrada por uma grande mordida que ele dá em uma cenoura (para a referência ser mais clara só comendo em mordidas rápidas e pequenas que nem o Pernalonga). Daí em diante o filme escancara em duas vertentes, o humor e a violência e para quem acha que isso não combina é só lembrar que além do Pernalonga muitos desenhos da década de 60 usavam a violência de seus personagens como forma de humor (Tom & Jerry, Pica Pau etc.). Admito que o humor e a violência em pessoas pode ser um pouco demais para alguns, mas se você não se importar com o sangue (que vai ser muito) você pode se divertir bastante.
As atuações se dividem em duas partes: as canastronas e as “eu estou me divertindo muito”. Entre as canastronas estão as de Mônica Belucci como uma prostituta e a de Stephen McHattie como o chefão de uma empresa de armas, ambos os atores não entenderam o espírito do filme e ficaram achando que dali ia sair uma mensagem de paz e esperança ao mundo. Agora, os que estavam se divertindo a beça, com certeza, eram
Paul Giamatti e Clive Owen. Este último, com aquele jeito sério de quem não está pra brincadeiras, deixou de lado o pudor e fingiu que seu personagem podia de alguma forma ser real. Isso sem esquecer de que não era e nem tinha como ser real uma figura como aquela. O resultado é um cara que se irrita com as pessoas e as coisas que elas fazem, mas sempre arranja um jeito de de puni-las da pior forma possível. Ele faz isso muito bem, sempre começando com a frase “Sabe o que eu odeio?” e terminando causando muita destruição. Paul Giamatti por outro lado está perfeito como um vilão pequeno que tem tendências megalomaníacas e que mata e destrói pela diversão de destruir. Por isso, que essa dupla de antagonistas se tornam o Pernalonga e o Hortelino Troca-Letras reais, que ficam correndo um atrás do outro em situações exageradas e mantem todo o ritmo do filme.
Com cenas marcantes e divertidíssimas (o final da perseguição de pára-quedas é hilário) o filme se sustenta bem, mas erra e quebra totalmente o clima ao mostrar uma política anti-armas e dispará-las como louco em todas as cenas.
Vai entender o que se passa na cabeça do diretor.
By Pato
PS: A cenoura possui mil e uma utilidades, mas com certeza a melhor delas é o bem pra vista que ela faz, pois o Sr. Smith sempre acerta os vilões e ninguém nunca acerta ele, só quando o roteiro pede. Alguém consegue dizer: Hollywood?!
Marcadores: Ação, Clive Owen, Michael Davis, Monica Bellucci, Paul Giamatti, Tex Avery

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