05 março 2008
Meu nome não é Johnny - Mauro Lima

“Meu nome não é Johnny, meu nome é João. Não sou bandido, não sou nenhum Pablo Escobar, não tenho quadrilha, não tenho fortaleza, não tenho dinheiro na Suíça. Se eu fosse tão poderoso assim, minha família não ia estar vendendo o único imóvel para pagar a minha defesa. Eu usava droga, vendia, ia usando, ia vendendo...”Assim João Guilherme assume que era dono dos 5,7Kg de cocaína que foram encontrados no apartamento no momento de sua prisão e tenta derrubar o argumento da promotoria de formação de quadrilha.
Eu estraguei seu filme contando isso? Não. O mais fantástico na história de João Estrella não é de onde ele saiu e onde foi parar, mas a forma fantástica que tudo aconteceu. O final do trás quase um road movie, mas a viagem fica mesmo na cabeça do personagem.
João Gulherme é filho único de um casal de classe média da zona sul do Rio de Janeiro. Era adolescente nos anos 70 quanto sua mãe saiu de casa e ele continuou morando com o pai. Sua vida se tornou uma festa eterna, cheia de bebidas, drogas e música alta. Comprando drogas para abastecer uma dessas festas e sem dinheiro pra pagar, João decide que o melhor a se fazer é vender o produto. Todo mundo sabe o que acontece com quem não paga. E nesse momento seu traficante, o Tainha, pergunta quanto ele vai querer na próxima e o comunica que ele agora está do outro lado do balcão. Começa sua carreira estelar de traficante, que vai abastecer as mais seletas rodas do Rio de janeiro no começo dos anos 90.
Antes de tudo, João era um usuário. E antes de ser um usuário, João era um menino. Um menino que já tinha 29 anos quando começou a vender drogas. Já deveria saber o que era certo e errado, mas mesmo anos depois, já preso, ainda não sabia.
Meu nome não é Johnny é um filme divertido. É reflexivo, mas é divertido. Selton Mello esbanja talento e nos tras esse João carismático, engraçado e energético. Ele nos leva de um jovem João bastante vazio para um homem ciente de tudo que perdeu e ganhou em sua jornada. Vai transformando João em um ser complexo e, acima de tudo, humano. João não é um herói, mas também não pe um bandido.
Cassia Kiss está ótima como a juiza do caso e sua participação levanta o nível das atuações, que são meio fraquinhas na maioria do tempo, principalmente na adolescência de João. Sorte que passa rápido. Mesmo a cara enjoada de Cleo Pires fica aceitável na tela, mas isso não nos faz gostar mais dela.
Um destaque para as cenas na cadeia com um ótimo Luiz Miranda enfrentando os africanos e João como intérprete. Impagável. Também a muito comentadas as cenas em Veneza. É um humor diferente daquele que se vê
normalmente num filme nacional. É um humor triste, real, de quem ri porque não quer chorar.
O filme termina de forma emocionante, com Selton Melo admirando o mar por horas e nos passando a já batida mensagem de que devemos valorizar as coisas simples enquanto as temos e que ser traficante de drogas não vale a pena. A mensagem é essa, mas contemplar toda a complexidade do momento foi algo muito difícil e o diretor Mauro Lima fez de uma forma muito real e bonita.
Marcadores: Cinema Brasileiro, Cleo Pires, Drama, Selton Mello

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