25 março 2008

 

PROJETO GRINDHOUSE - Planeta Terror - Robert Rodrigues




Quem, sinceramente, acredita que quando você faz uma coisa por que gosta, e não por que foi obrigado, ela sai muito boa, não só para você, mas para as pessoas que apreciam aquilo que você faz? É assim que posso descrever o projeto Grindhouse, uma parceira entre Robert Rodrigues e Quentin Tarantino que produziu dois filmes (do qual irei falar apenas de um nesse momento), e que ambos os filmes, até o momento foram muito bem comentados por todos aqueles que gostam de cinema e sabendo que eles fizeram o projeto simplesmente por gostar de cinema, acabaram por comprovar o que eu disse logo acima. Em tempo, devo admitir que somente vi o filme Planeta Terror, (o filme de Robert Rodrigues) então irei nessa primeira parte apenas falar sobre ele. Assim que assistir o segundo (Prova de Morte) irei comentá-lo também.


Antes de começar a resenha, devo explicar um pouco sobre o Projeto Grindhouse e sua origem. Grindhouse é o nome dado a salas de cinema nos Estados Unidos que passam filmes de terror B (trash). Normalmente com sessão dupla e muito famosas nos anos 70 e 80, essas salas fizeram muito sucesso com sessões de filmes que eram repetidos a exaustão. Quando se reuniram, Quentin Tarantino e Robert Rodrigues decidiram fazer uma homenagem a esses filmes, criando um filme cada um, explorando o máximo do trash. Esses filmes seguiriam o estilo Grindhouse no máximo, com a imagem gasta e até pedaços dos filmes faltando (afinal eles eram passados a exaustão, filmes com até dez ou mais anos) e incluindo entre uma sessão e outra trailers falsos feitos por diretores convidados. Robert Rodrigues fez Planeta Terror, uma homenagem aos filmes de zumbis, Quentin Tarantino fez Prova de Morte, uma homenagem aos Road Movies de terror.

Planeta Terror é um filme complicado de se assistir. Ou você está preparado para a homenagem que ele pretende fazer, ou você achará um filme nojento e ridículo demais. Eu admito que ele é bem nojento, com pus, sangue, zumbis canibais, membros despedaçados, gosmas e tudo mais, mas ridículo ele não é e tem um bom motivo, afinal, não é só por que ele é uma homenagem que ele tem que ser relaxado e descuidado. Todos os efeitos são bem trabalhados, sejam os de saturação e desgaste da imagem, seja dos zumbis ou seja até o som e a trilha (que utiliza até elementos de A Coisa e Fuga de Nova Iorque, ambos clássicos do terror de John Carpenter, o rei desse tipo de filme). A direção é impecável para o que ela se propõe, com os mesmos estilos de montagem e edição (que também é feita por Robert Rodrigues como em todos os seus filmes) que imitam os filmes da época até o uso das cores e o enquadramento dos personagens.

Agora, sem sombra de dúvida o melhor de Planeta Terror são as atuações. O filme é um composto por um roteiro sem nexo de uma idéia bem batida, suas falas são, quando muito, piegas e clichês. Ele pede e implora para não ser levado a sério, então na mais justo que ninguém leve a sério mesmo. Exatamente o que os atores fazem. Todos eles, sem exceção interpretam seus personagens de maneira cômica e caricata. Isso sem criar estereótipos ou fazer atuações exageradas. Josh Brolin, por exemplo, interpreta Block, um médico que faz o turno da meia noite do plantão e odeia quando tem muitos corpos pra cuidar. Ele fica o tempo todo medindo sua própria pressão e com um termômetro na boca pra saber quando está estressado. Michael Biehn (Kyle, o cara que vem salvar Sarah Connor em o Exterminador do Futuro – achei muito bom ver ele nesse filme) interpreta o Xerife, que quer ajudar a todos, cuidar da cidade e salvar o dia, mas ao mesmo tempo fica aporrinhando e ferrando o irmão (Jeff Fahey) para roubar uma receita premiada. Freddy Rodríguez como o famoso estranho que é ótimo lutando e que tem um passado misterioso (uma das melhores idéias do filme é em torno da revelação desse passado).

Todos esses atores (sem exceão) criam uma história, algo que nos ajuda a entender os personagens, mas tenho que fazer duas menções especiais, uma a Naveen Andrews (Lost) que interpreta o Doutor Abby e outra a Rose McGowan que interpreta Cherry, a protagonista. Ele é um cientista que cria uma arma química poderosa que causa todo o estrago do filme, e apesar de seu forte sotaque, ele nunca se mostra ou diz do Oriente Médio, ele é um americano qualquer, mesmo com sotaque, o que quebra o estereotipo de terrorista e cria um conceito ambíguo para o seu propósito. Cherry por outro lado é uma dançarina exótica (erótica) que pede demissão para se tornar comediante. O mais engraçado é que no começo achamos que é uma piada, já que ela diz que ela vai fazer isso pois todos dizem que ela é hilária, só que todos dizem isso somente quando ela fala sério, o que faz da idéia de ser comediante a piada em si. No filme inteiro percebemos o desenvolvimento e a mudança do personagem, não só nela como em todos os outros, e o incrível é que isso acontece pelas interpretações, já que o roteiro é uma seqüência de clichês e frases ridículas, tanto que chegam ser hilárias. Na verdade só realmente percebemos isso com dois personagens mais drasticamente, o de Bruce Willis como oficial do exercito (ele realmente não estava inspirado) e o de Fergie como a primeira vitima (o que realmente me deixou feliz, pois eu odeio muito ela).

Portanto, deixo bem claro agora, se você entrar no espírito do filme é uma viagem sem volta, talvez sua mãe não goste dele ou aquele seu vizinho sensível, mas a verdade é que ele é apenas uma alegoria, uma homenagem, um recado a todos aqueles milhares de filmes comerciais que estão por ai (cof cof Transformers cof cof) e o recado é: Eu faço filmes por que gosto, bons ou ruins eu gosto deles e tenho meu público. E quero ver o seu marketing massivo ganhar da minha propaganda boca a boca.

By pato

Ps: Não assistam esse filme nem pouco antes ou pouco depois de alguma refeição. Se até a cena com o Quentin Trantino você não tiver passado mal, nessa você vai passar.

TRAILER

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Comments:
Já mandei os textos. Atualizaaaaaaaa
 

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