13 abril 2008

 

Campo dos Sonhos - Phil Alden Robinson



Se um filme cheio de cenas tristes te emociona é por que você foi tragado pela narrativa e se sente parte da história. Às vezes se identifica com o mocinho ou outro personagem que você torceu para não morrer. Pode ser que a sua vida seja daquele jeito ou talvez ela não seja, mas um dia possa chegar a ser. Ou seja, existem mil motivos para um filme carregado de tristeza te emocionar. Mas o que dizer quando um filme que somente mostra alegrias, boas escolhas, personagens marcantes, mas mesmo sabendo que você não tem a menor chance de estar na pele deles, te emociona? Bom, se você viu Campo dos Sonhos você sabe o que eu quero dizer com isso, se não, assista e descubra.

Campo dos Sonhos é um filme de fantasia, mas ao contrario de filmes comuns com essa temática, ele não se passa em um mundo diferente do nosso, em um passado distante ou em um futuro misterioso. Esse filme se passa em torno de um homem comum que se envolve em sua própria loucura. Uma loucura essa que move todos de uma maneira que nenhum personagem sai sem se sentir tocado. Nesse momento entra Ray Kinsella (Kevin Costner), ele cria um personagem que, obcecado pelas vozes que ouve em seu milharal (um sinal que pode ser considerado como loucura) vai atrás de respostas, pessoas, atos e até de sua família e glória. Ray é extremamente inteligente e sabe como seguir as parcas indicações que recebe ao longo da jornada, mas isso sem se tornar ridículo por ser exagerado em suas andanças e motivações.

No meio da trama Ray procura um escritor, Terry Mann (James Earl Jones) para ajudá-lo a entender o que ocorre. O mais mágico é como James Earl Jones cria um personagem cético no começo que aos poucos vai se envolvendo com a narrativa, em uma atuação gigante que consegue chamar toda atenção sem roubá-la dos outros personagens. Mas isso é pouco, o elenco é totalmente composto por personagens coadjuvantes que acreditando ou não na loucura de Ray, acabam se comovendo e se tornando parte desse universo mágico e fantasioso. Seja a mulher de Ray, Annie (Amy Madigan) ou o herói de Ray e de seu pai, Shoeless Joe Jackson (Ray Liotta). Por falar no Ray Liotta, tenho que admitir, sua composição para o personagem está um pouco seca e dura, mas quando você conhece sua história percebe que é indispensável que o personagem seja assim. Sua caracterização com o tempo ganha espaço na tela e o personagem cresce de forma absurda.

Mas como eu mencionei o pai de Ray, tenho que admitir: esse é um filme sobre como se reatar com a família, como o sonho de um homem pode mudar a vida de todos, seja esse sonho uma loucura ou não. Eu sei que isso soa clichê, mas é nesse ponto que o filme muda de figura, dentro desse clichê todo, de repente, o filme dá uma volta e te pega desprevenido, deixando-o totalmente sem chão e sem sabe como reagir. Mas afinal, é isso que constrói a narrativa do filme, seja piegas ou seja emocional, não importa. O que importa é que é um filme bem feito, bem atuado e muito bem produzido, que sabe exatamente quando e onde você estará mais vulnerável, e ai você está nas mãos dele.

By Pato.

Ps: E pensar que James Earl Jones é capaz de fazer um velhinho simpático e muito antes o próprio Darth Vader. Impressionante né? Mais impressionante é só o fato de que depois de fazer esse filme, Dança com Lobos e os Intocáveis Kevin Costner conseguiu fazer Waterworld. Mas eu não uso isso contra ele. Nunca.

TRAILER



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