13 abril 2008
Desejo e Reparação - Joe Wright

Desejo e Reparação é um filme que eu só fui assistir por que fui obrigado. É sério, não sou muito fã de corrida do Oscar e fico querendo ver todos os filmes que envolvem essa premiação. Por esse motivo, sou obrigado a me redimir, e dizer que, Desejo e Reparação é um filme muito bom, parado, mas muito bom.
Vamos começar pelo parado. Esse é aquele tipo de filme que até a musica demora pra engrenar, em que as cenas demoram o tempo que for necessário para se explicarem, para tomarem a ação, e para continuar a história. Eu sei que isso afasta muita gente de um filme como esse. Afinal, acostumados com filmes de ação, terror ou suspense eletrizantes (e por que não romances e comédias também), é complicado sentarmos para sermos carregados por filmes que são, em sua maioria, versões cinematográficas de uma tartaruga (tombada). Mas, mesmo assim, se você respirar fundo, segurar uma vontade de gritar de desespero que vai lhe acometer de vez em quando, você irá embarcar em uma jornada que no final fará você se sentir muito surpreso, no bom sentido.
A história é simples, Briony Tallis (Saoirse Ronan – Que me assustou com esse papel e talvez por isso concorreu ao Oscar) é uma precoce garota de 13 anos na Inglaterra pré-Segunda Guerra. Sua irmã Cecilia Tallis (Keira Knightley) é a irmã mais velha e engajada da família (que por sinal está no meio de sua decadente descida social). Briony vê sua irmã em uma cena com o jardineiro Robbie Turner (James McAvoy) que ela não consegue entender e começa a sentir ciúmes. Mais tarde no mesmo dia ela provoca uma situação que afeta a vida de todos. O filme então foca na vida dessas pessoas durante a Segunda Guerra, e as conseqüências do ato de Briony.
É por isso que o filme se difere muito do que eu já vi. A história de pessoas que cometem erros de julgamento e acabam umas com as vidas das outras não é estranha, mas esses personagens são totalmente diferentes do que é o normal. A começar por Briony, que como eu disse era precoce, mas que mesmo assim é uma criança e vê o mundo com esses olhos. Depois Cecília, que é engajada com o mundo e não se importa com as situações financeiras da família. Ela pertence a esse meio mas não faz questão de mantê-lo. Por fim, Robbie, que vem de origem humilde, quer subir na vida mas não toma caminhos obscuros para isso, apesar de que muitos poderiam dizer que sim.
Outro motivo da diferença é o segundo ato da história, durante a guerra, enquanto vemos o futuro de todos os personagens e como Briony percebe seus erros, isso tudo ocorre de uma forma triste e fluida que acaba exatamente com um corte abrupto para o terceiro ato. Nesse ponto o filme amarra tudo o que ele prometia e cria um terceiro ato que te pega toa desprevenido e não tem como não se sentir triste e enganado, criando um sentimento difícil de explicar na ultima cena.
Contando ainda com uma trilha sonora que utiliza sons do cenário (batidas, maquinas de escrever, conversas) para criar sua composição marcante esse filme deve ser visto ainda uma vez. Nem que seja para uma discussão sobre a ficção no cinema e o efeito sobre nós.
By Pato
Ps: Briony durante a Guerra é interpretada por Romola Garai, que por sinal é muto bonita, menos no filme onde a sua maquiagem a tornou extremamente estranha.
PPs: Anthony Minghella antes de falecer participou desse filme em uma ponta bem pequena e fora da tela como o entrevistador. Foi seu único trabalho como ator.
Marcadores: Anthony Minghella, Brenda Blethyn, Drama, James McAvoy, Joe Wright, Keira Knightley, Romola Garai, Saoirse Ronan, Vanessa Redgrave

Postar um comentário