14 abril 2008

 

O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford - Andrew Dominik



Existem duas maneiras corretas de se fazer um filme que baseado em personagens históricos controversos. A primeira é brincar com essa figura e tratá-la com humor e ironia (como por exemplo Bill e Ted fizeram), a segunda maneira é fazer uma recriação de sua vida da maneira mais acurada possível e, principalmente, sem tomar partido ou amenizar certos aspectos.

Ao tentar fazer a segunda opção que O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (que a partir desse momento chamarei de O Assassinato) falha. Ele cria figuras extremamente tridimensionais e explora os medos, motivações e frustações de todos os envolvidos, incluindo Jesse James, mas o filme realmente tenta passar uma história que, apesar de poder perfeitamente ser a verdadeira, não necessariamente é.

Acompanhando a carreira de Jesse James (Brad Pitt) a partir do momento em que Robert Ford entra no seu bando, o filme foca nas relações conturbadas entre as pessoas do bando. Afinal todos eles tinham graves distúrbios sociopatas já que além de roubar não se intimidavam em matar, bater ou atacar pessoas. Contando com grandes interpretações todos os integrantes do bando de Jesse James são por si só figuras muito interessantes, mesmo que sejam, de uma maneira ou outra, assustadoras.

Robert Ford (Casey Affleck) é só um exemplo, Sam Rockwell interpreta seu irmão como um sujeito medroso e falastrão, que busca se impor apenas sobre aqueles que julga mais fracos que ele (seu irmão por exemplo), mas que, presente no assassinato de Jesse James, percebe a força do irmão e nunca mais consegue atacá-lo diretamente. A história de Dick Liddil (Paul Schneider) e seu confronto com outro membro do bando, Wood Hite (Jeremy Renner), não é só marcante como também serve de estopim para vários acontecimentos da história. Além disso os dois atores conferem uma atuação onde se percebe a crescente animosidade dos dois personagens, que só é rivalizada pela necessidade que eles tem de trabalharem juntos. Outro exemplo é a pequena mas interessante caracterização de Sam Shepard como Frank James (irmão mais velho de Jesse e também líder do bando) com pouco tempo de tela ele consegue demonstrar o apego e o desprezo pelo irmão e suas escolhas, isso sem contar a liderança de um grupo em constante mutação (tirando os 5 ou 6 fixos o grupo chegava a ter 20 pessoas todas da região do assalto).

Mas falar do Assassinato sem falar das atuações de Casey Affleck e Brad Pitt não é fazer jus ao filme. Brad Pitt está extremamente desafiador como Jesse James. Ele construiu o personagem de forma tão forte que nós entendemos o motivo pelo qual todos se comportam com extrema cautela ao lado dele (inclusive seu irmão). Na verdade o único momento no qual Brad Pitt peca é exatamente quando Jesse varia de humor. Nos momentos em que tem que se mostrar sério e desafiador ele atua de maneira impecável, mas logo no momento seguinte quando tem que rir de seu bando ele soa exagerado, como se encontrasse dificuldades para fazer essa mudança.

Casey Affleck, por outro lado, não falha jamais como Robert Ford. Começando a narrativa como uma pessoa inocente e juvenil, passamos a perceber como ele nunca se dará bem no mundo que ele quer viver (assaltando trens e bancos). Mesmo assim seu crescimento se dá de forma constante, levando-nos a perceber exatamente por que ele levará a cabo o título do filme. Perceba por exemplo a diferença de quando ele saí da casa de Jesse depois de passar um tempo com ele e como ele entra na segunda vez, mais decido e não se importando com a sua situação e o incomodo que ele causa. Alias esse é o principal ponto sobre Robert Ford retratado na atuação, sua admiração por Jesse James é tamanha que ele realmente causa incomodo a todos nós e aos personagens da narrativa.

Portanto, volto na única e maior falha do filme. Ao invés de tornar ambíguo e deixar-nos especular sobre os motivos de Robert Ford, o filme resolve tratá-lo como um herói que prestou um serviço ao seu país e nunca foi reconhecido por isso. Pode ser que isso seja verdade, mas como nunca saberemos o mais interessante seria transformá-lo em um personagem ambíguo, de moral deturpada pelo seu ídolo e pelas companhias que tinha, afinal isso não deixa de ser verdade, mas infelizmente o filme obriga você a torcer por ele e acreditar que ele não foi o covarde que atirou em Jesse James pelas costas.

By Pato

Ps: O filme é extremamente devagar, mas isso não interfere na narrativa. Por isso, julguei desnecessário discorrer sobre o assunto.

TRAILER


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