20 junho 2008

 

Na roda da Fortuna - Joel & Ethan Coen




Em certo momento do filme na “Roda da Fortuna”, nos deparamos com dois narradores que visualizam uma cena e a descrevem e atuam a fala dos personagens principais (vistos em segundo plano), eles imaginam o que cada um está dizendo ou pensando baseando-se no fato que já viram aquela situação milhares de vezes. É uma cena absurda e hilária, que se utiliza de uma maneira muito incomum para descrever aquilo que seria clichê se fosse rodada normalmente e por diretores inexperientes (ou até experientes).

Na roda da fortuna é todo assim. Do começo até o final vemos maneiras inusitadas de contar uma história que cansamos de ouvir de uma maneira comum (e que admito que deve ter sido divertido da primeira ou segunda vez), todas essas maneiras contadas de forma tão única e genial que ficamos pensando se aquilo é o clichê que já vimos tantas vezes ou não. Outro ótimo exemplo é quando um personagem passa por um momento difícil, e acaba entrando em um bar já bêbado e pedindo uma bebida, só para descobrir que é um bar Beatnik e que só serve sucos.

Todas os atores estão afinadíssimos, Tim Robbins interpreta o jovem Norville Barnes que sai do interior americano e vai tentar a vida em Nova Iorque. Logo vemos que ele não é a pessoa mais inteligente do mundo, e não deve estar nem na média. Mas ele tem um plano, que não consegue explicar pra ninguém, e espera que o plano faça sua carreira subir. Daí encontramos Sidney J. Mussburger (Paul Newman – que deve ter se divertido muito fazendo esse filme) um grande executivo de uma empresa estilo Rockfeller que acabou de perder seu presidente (Charles Durning), que se jogou da janela do ultimo (ou penúltimo) andar do escritório ao descobrir que sua empresa estava fazendo mais dinheiro que seria possível prever.

Mussburger então começa a procurar um novo presidente, o mais idiota possível, para que o pânico dos acionistas faça o preço das ações abaixarem e ele possa comprá-las o mais barato possível. Ao mesmo tempo Norville começa a trabalhar na sessão de correspondência da empresa e pegam ele para entregar uma carta para os executivos (trabalho que todos evitam). Logo, Norville se torna presidente da empresa, e como era de se esperar começa e ser investigado por todos, principalmente por uma jornalista chamada Amy Archer (Jennifer Jason Leigh) que faz o tipo mulher-macho que ganha de qualquer homem na redação.

Agora eu peço um favor. Leia novamente o texto acima e descubra quantos pontos você já viu em outros filmes? Vários, certo? Em um filme comum, com um diretor e um roteirista pouco inspirados, esses elementos seriam banais e corriqueiros, mas em um filme dos Irmãos Cohen todos esses elementos são colocados de uma forma tão inspirada que torna esse filme imperdível. Um filme que deve ser assistido diversas vezes, pois cada vez que ele for assistido ele mostrará uma outra nuance, outro ponto que não havia sido percebido e que dá um tom interessantíssimo a um conto que querendo ou não (clichê ou não) mostram o bom e o ruim do poder, dos negócios e das grandes indústrias.

Pode até parecer exagero, mas olhando bem, olhando de perto, vemos que as políticas de negócios das empresas não se diferem da visão de Mussburger, que querem dinheiro e sucesso a qualquer preço. O poder não é diferente do apresentado no filme também. Logo que chega no topo Norville Barnes muda, se torna diferente, menos cativante mas não menos inocente, as pessoas a sua volta mudam e se aproveitam do seu orgulho adquirido e da sua inocência, e sobem em torno dele jogando-o para baixo.

Esse é um filme com uma moral, não se engane. Ele mesmo por baixo de uma camada de humor e inocência, mostra muito sobre o mundo que nos cerca e sobre as pessoas que vivem nele. Ele não se difere de Onde os Fracos não tem vez no seu objetivo, mas sim no seu conteúdo e no que quer mostrar. É uma maneira mais fácil de encarar uma dura realidade, só que nesse caso com um final feliz.

By Pato

PS: Em certo momento do filme a cena se congela, a cara do Paul Newman mostra a capacidade desse ator, que pode ser vilanesco e extremamente engraçado ao mesmo tempo. Além disso, ficar com aquela cara por um certo tempo deve ser muito difícil.

PPS: Esse filme foi escrito também pelo Sam Raimi (Homem Aranha, Evil Dead)

TRAILER


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