17 setembro 2008
O Nevoeiro - Frank Darabont


Quando eu li o livro Tripulação de Esqueletos de Stephen King eu nunca imaginei me deparar com um conto que pudesse me aterrorizar tanto quanto o A Névoa. Dentre dezenas de contos fantásticos, tanto de terror quanto de fantasia, A Névoa se sobresaia pelo simples fato de que além das pessoas estarem ilhadas e separadas de todos aqueles que elas amam, elas são obrigadas (por advento de algumas pessoas) a lutar umas contra as outras para poderem escapar da destruição certa.
Por isso, quando descobri que o filme estava sendo feito, fiquei muito feliz (mesmo sabendo que pouquíssimos filmes de Stephen Kings ficaram bons), quando descobri que o diretor era Frank Darabont (dos ótimos Um sonho de Liberdade e A Espera de um Milagre, ambos de King) fiquei mais feliz ainda. Tanto que nem a noticia de que o personagem principal era Thomas Jane me abalou. Nem a distancia de quase um ano entro os lançamentos no Brasil e nos EUA me deixou triste também (afinal aqui não foi direto pro vídeo – bom sinal).

Descobri-me recompensado pela espera, o filme é maravilhoso. Resumindo a história, o pintor David Drayton (Thomas Jane, finalmente atuando bem) resolve ir com o seu filho (Nathan Gamble) e um vizinho (Andre Braugher) ao supermercado comprar provisões logo após uma forte tempestade. Chegando lá uma forte névoa (ou neblina, nunca sei a diferença) cerca o local. Isso não seria nada de mais se Dan (Jeffrey DeMunn) não chegasse correndo e sangrando e dissesse que existem monstros na névoa. Alguns encaram com ceticismo, outros encaram como o fim dos tempos divino e outros tentam descobrir como sobreviver.

A trama então começa a analisar essas mudanças súbitas de comportamento pelas quais as pessoas passam. Algumas começam desde o começo, correndo atrás de seus familiares e entes queridos, alguns aos poucos vão angariando pessoas que suportem suas suposições, outros permanecem céticos muito tempo antes de perceberem a que pé se encontram.
Assim o filme começa a mostrar uma guerra de nervos entre os sobreviventes. Algo que os faz se unirem em pequenos ou grandes grupos e lutarem uns contra os outros. Certos acontecimentos comprovam um grupo em certo momento, outros comprovam outros grupos, e o interessante é ver certos personagens mais volúveis cedendo a um ou outro grupo dependendo da ocasião.

Mas um filme de terror tem que se basear em seus sustos e medos, e nesse aspecto que O Nevoeiro se sobre sai de qualquer outro exemplar do gênero de terror. Com monstros assustadores (as aranhas, MEU DEUS! As aranhas!) criados com esmero, as seqüências dos monstros são surpreendentemente fortes e seguras, sabendo que nunca serão reais, mas que podem ser nossos piores pesadelos.
Com atuações marcantes de todos os personagens o filme ainda tem o trunfo de ter Toby Jones como Ollie, o sujeito franzino que ninguém dá nada pra ele; e Márcia Gay Harden como a senhora Carmody, uma figura emblemática que aos poucos mostra sua verdadeira face.

Por fim, literalmente, o filme tem um final surpreendentemente forte e triste, que vai fazer com que muitos saiam do cinema soltando muxoxos do tipo “isso nunca ocorreria”, “que idéia idiota”, mas pensando que no fundo aquele é um dos melhores finais de um filme em muito tempo.
By Pato
PS: (SPOILERS) Poucos sabem, mas o jogo mais famoso do mundo (do entretenimento eletrônico), Half Life, foi baseado na suposição de seus criadores de que se foi ruim para o mundo aqui fora, imagina para quem estava na base militar.
TRAILER
Marcadores: Andre Braugher, Frank Darabont, Jeffrey DeMunn, Lauren Holden, Marcia Gay Harden, Nathan Gamble, Terror, Thomas Jane, William Sadler

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