09 outubro 2012
23 agosto 2010
Mulan - Tony Bancroft e Barry Cook (1998)
Desonra! É isso que acontece a esse blog! Em pleno mês de agosto de um ano cheio de estréias fantásticas (Hello, Toy Story 3, A origem!) nenhuma resenha com a data de 2010. Desonra.Para estrear nosso arquivo deste ano, escolhi um filme que fala muito sobre honra, dignidade e autoconhecimento. Mulan, de todos os filmes da Disney, é o que melhor dialóga com essas questões e não ignora suas raízes.
Fa Mulan é uma jovem que não se ajusta bem no mundo que vive (a China de 495 d.C.). Apesar disso, ela ama sua família o suficiente para ir contra seus desejos e fazer o melhor que pode para se tornar "a perfeita esposa e perfeita filha". Mas infelizmente, como na vida real, só vontade não é suficiente e Mulan percebe que não tem vocação para ser uma esposa recatada, pontual e equilibrada e que, provavelmente, não conseguirá elevar ou mesmo manter a honra de sua família. O filme deixa claro que isso é muito importante e que a desonra é pior que a morte.
Quando os hunos invadem a China, o Imperador (na maior representação da sabedoria chinesa) convoca um homem de cada família para defender o país. Quando o pai de Mulan, veterano de guerra, idoso e doente, aceita sua convocação mesmo sabendo que isso significa sua morte, Mulan o confronta e uma das declarações mais dolorosas vem do brado de Fa Zhou que diz para a filha "Eu conheço o meu lugar. Está na hora de você conhecer o seu". Qual é o lugar de Mulan afinal? Quando ela decide que não é em casa esperando uma carta avisando sobre o falecimento do pai, ela parte para a guerra em seu lugar.

É muito bonita a cena da decisão de Mulan. Sentada na chuva ao lado do Grande Dragão de Pedra, como que buscando uma luz e proteção, ela vê que, apesar de resignada, a mãe não concorda com o marido. E é ai que ela toma coragem, corta o cabelo, rouba a armadura do pai e parte para o que poderia ser a morte certa, pois a revelação de seu segredo receberia tal punição.
Além da viagem de Mulan, temos também a de Mushu. O pequeno dragão foi rebaixado do cargo de gurdião e busca reconquistar o respeito dos ancestrais da família Fa (numa cômica reunião de família sobrenatural). Depois de destruir o Grande Dragão de Pedra, ele decide que o único jeito de reparar seus danos seria fazer da empreitada de Mulan um sucesso.
O que vemos a partir daí é a descoberta dos limites pelos personagens e a discussão de suas motivações. Conforme superam seus obstáculos, Mulan e Mushu não percebem que estão indo longe demais em sua farsa e que o segredo a qualquer momento pode ser revelado e que as consequências podem ser piores que a morte.
Apesar de ter ido muito bem na bilheteria, sei de muita gente que não assistiu, então não vou falar mais sobre o final. Vou dizer que Mulan não é muito diferente de todos os filhos e filhas do mundo que simplesmente não conseguem a aprovação dos pais sendo aquilo que são genuinamente. Como a heroína da Disney, esses jovens buscam a revelação de sua verdadeira imagem para que possam, então, encontrar paz e felicidade.
Sendo uma animação da Disney em sua época de boas produções, Mulan é lindamente colorido e fotografado, com detalhes de tirar o fôlego. As músicas potencializam as emoções e manipulam o expectador com maestria e os números musicais realmente servem para contar a história e não só para não perder a chance de colocar uma musiquinha. Eu comparo o número "Imagem" ao "Ser deste mundo" d'A Pequena Sereia (um dos meus favoritos no mundo). As duas cantam seus desejos de fazerem parte de algo diferente, de outro lugar, num momento muito íntimo. A diferença é que enquanto Ariel buscar encontrar seu lugar em um mundo físico, Mulan quer encontrar seu lugar dentro de si mesma, sua verdadeira imagem.PS: Nem preciso dizer que Mario Jorge, dublador de Mushu, faz mais um trabalho espetacular. Ele é o burrinho do Shrek que, como o dragão, é dublado no original por Eddie Murphy. O contraponto que as gírias e o gingado de Murphy dão à dureza das personagens orientais é muito interessante. Todo o elenco tem momentos cômicos, que casam perfeitamente com as outras emoções que preenchem o filme.
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30 dezembro 2009
Vestida para casar - Anne Fletcher
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10 outubro 2009
Quatro casamentos e um funeral - Mike Newell
Portanto, quando chegou aos cinemas o filme "Quatro casamentos e um funeral" lá no distante ano de 1994, muita gente não sabia o que esperar. Uma comédia romântica com humor britânico? Então com Andy MacDowell - na época muito famosa por lá, hoje em dia nem tanto - como guia, o público passeou pelos relacionamentos daquele pessoal absurdo e se apaixonou por duas coisas: humor britânico e Hugh Grant.
Como em toda comédia romântica, a preocupação não é construi um roteiro elaborado. Na verdade, isso pode até atrapalhar (como em Abaixo o amor, com Renée Zellweger). O importante são os relacionamentos. E Quatro Casamentos vai falar da dinâmica de um grupo de amigos solteiros, focando principalmente em Charles (Hugh Grant), que em 32 anos deixou um rastro de sangue por onde caminhou sua vida amorosa.
Meses depois se encontram novamente, nas bodas de um casal que se formou no casamento anterior. Para a decepção de Charles, Carrie o apresenta a seu noivo. A noite só piora quando Charles é colocado na mesma mesa que várias ex-namoradas e ele acaba encontrando com a pior de todas, Henrieta (chamada pelos amigos de "cara de pato"), com quem o rompimento foi muito difícil. Depois de uma noite muito constrangedora ele vai embora e acaba encontrando Carrie novamente e eles passam mais uma noite juntos.
Algum tempo depois chega o convite para o casamento de Carrie na Escócia, para onde a trupe dos solteiros segue. E na recepção desse casamento ocorre a morte de alguém muito querido e, como numa onda, vários segredos são revelados e todos têm a oportunidade de refletir sobre suas vidas e que talvez seja a hora de crescer.
Para Charles, crescer significa se casar e é isso o que ele pretende fazer. Mas as coisas não terminam da forma mais óbvia. Na verdade, é o tal do absurdo que torna o filme muito engraçado e inteligente.
A história é contada como no título, com quatro casamentos (cada um com um problema diferente) e um funeral, mostrando a mudança naquele grupo de pessoas a cada um desses eventos. Mas a graça está nos detalhes. Algumas piadas são hilárias e a participação de Rowan Atkinson (o Mr Bean) como um desajeitado padre é inesquecível. Primeiro por que em seu discurso ele, entre outras coisas, insiste em errar o nome da noiva e acaba abençoando os noivos em nome do Pai, do Filho e do "espírito manco". E também porque foi a primeira vez que eu ouvi o Mr Bean falar.
O elenco todo veste muito bem seus papéis, tornando os personagens reais, mesmo que você passe o filme inteiro pensando que nunca agiria da mesma forma e dando graças por não ser com você. Essa é outra coisa sobre as comédias românticas: elas constrangem e dão uma baita vergonha alheia. Mas aqui tudo é muito sutil e orgânico, não ofende a audiência.
Quatro Casamentos e um Funeral é leve e divertido. Adorável, na verdade (os ingleses adoram dizer "lovely"). E não pense que é uma catequização sobre o casamento. É mais sobre como o segredo de um bom relacionamento está em ser a pessoa certa e esperar o momento certo. O resto se arranja naturalmente, só precisa paciência.
PS: Preste atenção ao discurso do funeral. É um dos momentos mais bonitos e tocantes do cinema.
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08 outubro 2009
Extraordinariamente ordinário: Especial Casamentos
Quatro casamentos e um funeral
Penetras bons de bico
Vestida para casar
O pai da noiva
Muita festa por ai e muito humor também, porque esperamos que um casamento seja um evento feliz e alegre. E com alguma tia chapada dando vexame dançando a macarena.
Estamos cientes de que muitos casamentos importantes ficaram de fora da diminuta lista, mas o tempo é curto e o diabinho ainda deu pra correr. Então, aproveitem as dicas e entrem no ritmo da marcha. Sobe o som!
08 julho 2009
Kung Fu Panda - Mark Osborn e John Stevenson
Esta resenha está sendo escrita pela segunda vez. Não é algo comum, para mim. A primeira era uma crítica a suoerficialidade do filme, que era curto demais e mal dublado. Tinha suas partes divertidas, mas era só isso: um filme divertido. Isso foi lá na época da estréia do filme.
Como não tinha publicado ainda, tive a oportunidade de me retratar: Kung Fu Panda é uma filme divertido e muito bom.
Começa com o panda do título vivendo uma cena de ação hilariamente narrada, com cores saturadas, traço estilizado em 2-d. "Nenhum panda foi tão amado e tão temido", ele diz. Descobrimos que tudo foi um sonho e passamos para a linda animação em 3-d da Dreamwoks. Conhecemos o Po de verdade: gordo, desajeitado, apaixonado por kung fu e ajudante na loja de macarrão do seu pai.
Sua vida muda quando o grande mestre Oogway avisa que vai escolher o Grande Dragão Guerreiro, aquele que deve ser o mais poderoso mestre kung fu de todos. Não é surpresa para nós quando o panda é escolhido, mas todos personagens do desenho ficam inconformados.
E a história é sobre a odisséia do urso para se tornar o Dragão Guerreiro, mas acaba sendo uma linda viagem para o interior dos personagens. A presença de Po faz com que os gurreiros do Palácio de Jade questionem suas vidas. Quem são, como se sentem, o que devem fazer. Tudo muda com a chegada do Panda.
Ele, por sua vez, se conhece muito bem. Jack Black no original e Lucio Mauro Filho na versão dublada fizeram um trabalho fantástico na construção do personagem. Mesmo sabendo de todas as suas limitações, Po se arrisca tentando se tornar uma pessoa completamente diferente, a pessoa que ele sempre sonhou ser, principalmente quando todos acreditam que ele não vai conseguir e não fazem questão nenhuma de esconder.
A grande mensagem do filme é um pouco óbvia, mas ainda sim muito bonita. É sobre saber quem você é e entender o que você precisa fazer para conseguir o que sempre quis. Aceitação é a palavra.
A construção do filme é boa. Embora dure apenas 92 minutos, Kung Fu Panda consegue contar a história de seus personagens sem parecer apressado. É um filme que deve ser visto mais de uma vez, pois várias piadas são muito sutis e passam despercebidas, mas são muito boas.
Um grande momento do filme é a aparição do pai de Po. Coisa de gênio.
Um grande viva para a equipe de dublagem, que contou com um elenco estrelado e competente. No original TODAS as vozes são perfeitas. Na versão dublada achei que Juliana Paes foi uma escolha ruim, de verdade. Ela pode ser uma boa atriz, mas ficou robótica como a Tigreza. Angelina Jolie é ferroz, Juliana não tem emoção. Mas não chegou a estragar. Infelizmente não ouvimos muito dos outros além de Dustin Hoffman e Jack Black. Ah, e Ian Mcshane como Tailung está muito bom mesmo. Acima da média.
E é assim que se faz um filme para crianças. Com uma história bonita contada de forma simples, bonita e engraçada, usando todos os recursos de cor, som e tudo a que se tem direito quando se faz cinema. Tudo isso pra nos fazer perceber que o mundo seria muito melhor se todos fossemos mais parecidos com um certo panda. Em tempos de desenhos infantis feitos especialmente para adultos, é legal encontrar uma coisa que agrada os dois públicos por que não trata de jovens ou velhos, mas sim da essencia do ser humano. Ou dos animais. Você entendeu!
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02 abril 2009
Loucuras em plena madrugada - Michael Nankin & David Wechter
Existem filmes que estimulam nossa imaginação por toda a nossa infância, existem aqueles que estimulam nossa imaginação por toda nossa adolescência, mas existem uns poucos, infinitamente poucos, que estimulam nossa imaginação a vida toda. Loucuras em plena madrugada é um deles.
Sendo de 1980 e com poucas reprises, não duvido que pouca gente conheça esse filme, o que é uma pena. Não que ele tenha diálogos maravilhosos, que ele tenha uma direção de arte incrível, ou que ele seja repleto de atores famosos, a verdade é bem mais simples, Loucuras em plena madrugada é um filme sobre uma caça ao tesouro para adultos, e uma do tipo que até hoje eu, e diversas outras pessoas, sonhamos em participar.
A História começa com Leon (Alan Solomon) chamando um grupo de pessoas para sua casa. Quando todos chegam,ele explica que foram convidados para participar de um jogo de caça ao tesouro que irá durar uma noite inteira e atravessará a cidade. Depois de muito pensar e cada um com as suas motivações todos os convidados montam uma equipe cada um.
As equipes são representações extremas de clichês de filmes universitários. Temos a equipe amarela que representa os mocinhos e é liderada por Adam Larson (David Naughton), temos a equipe azul que é dos riquinhos mimados liderados por Harold (Stephen Furst), temos a equipe branca, dos nerds, liderada por Wesley (Eddie Deezen), a equipe vermelha das meninas rejeitadas lideradas pela feminista Donna (Maggie Roswell) e a equipe verde, dos atletas patéticos liderados por Lavitas (Brad Wilkin). Percebam que tirando os lideres das equipes amarela, azul e branca o resto é composto por ilustres desconhecidos; mesmo Michael J. Fox estava no seu primeiro filme nessa produção e não era conhecido por ninguém na época.
Sobre o roteiro tenho que admitir que tirando as pistas engraçadas e a arqui-rivalidade da equipe azul contra a equipe amarela (que são as tramas principais) o filme fica com sub-tramas meio sem sentido. A rivalidade das equipes branca, vermelha e verde são meio inúteis, a história do irmão menor de Adam, Scott (Michael J. Fox) até dá um impulso para a trama mas nada demais, a falha no veiculo da equipe azul (apesar de ser uma parte da trama principal) parece meio perdida. De todas a única que é divertida e se salva é a trama dos vizinhos de Leon aparecendo no meio da noite pra reclamar do barulho e ficando animados com toda a caça ao tesouro.
Com vários altos e baixos o filme não é um exemplo de grande inovação. Mas é interessante o suficiente para divertir quem não viu e trazer boas memórias a quem viu.
By Pato
PS: Sempre quis fazer algo assim e um dia eu ainda vou fazer. Qualquer coisa eu posto aqui e aviso. Outra coisa, não tinha o trailer do filme no Youtube então peguei os minutos iniciais onde as pessoas recebem o convite para a caça. Mais 80's impossível!
TRAILER
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01 abril 2009
Watchmen - Zack Snyder
“O mundo acaba com você”, essa frase de sentido dúbio está na minha cabeça faz muito tempo, mas ganhou mais força depois de assistir Watchmen. Desde já, querio deixar claro que vou tentar ser o mais Spoiler free possível. Mesmo que no caso do Watchmen estamos lidando com o impossível.
“O mundo acaba com você”, analisando um dos sentidos dessa frase percebi que o mundo é apenas a nossa perspectiva, é apenas a visão que temos dele, é apenas aquilo que vemos ao abrir os olhos logo após nascermos até o momento que fechamos os olhos quando morremos. Essa divagação filosófica tem um motivo, Watchmen é uma representação fantástica dessa filosofia.
Nesse ponto, faço questão de deixar claro uma coisa, apesar de não ser essencial que se leia os quadrinhos antes de ver o filme, é muito importante para que se saiba tudo o que acontece ao fundo da narrativa, por isso para que se compreenda melhor as motivações de todos os personagens; portanto pretendo aqui contar o filme como se o leitor nunca tivesse lido as revistas e, sendo assim, precise de maiores explicações.
Quando o filme começa vemos o Comediante (Jeffrey Dean Morgan) sentado na frente à TV e mudando de canais aleatoriamente, uma cena que começa a demonstrar duas coisas: 1) Não estamos no presente (pelo tipo de aparelho e a programação) e 2) as coisas não são como as conhecemos pelas aulas de história. Esse pequeno pedaço já encara um bom desafio, e cumpre com bastante eficiência as necessidades do roteiro em fazer o espectador se localizar na história. Logo após essa cena surge uma cena maravilhosa onde um sujeito misterioso ataca o comediante e o defenestra (o joga pela janela – sempre quis usar essa palavra). Criando um impacto no espectador a cena termina com o inicio dos créditos, que embarcado ao som de The times they are a-changin’ do Bob Dylan (uma escolha que quase me fez chorar de alegria) mostra a ascensão e queda dos heróis mascarados, nesse mundo alternativo.
Seguindo uma narrativa confusa para aqueles que não leram os quadrinhos (já que parte da história teve que ser sacrificada ou modificada), Watchmen não é um filme de uma visita só. O filme realmente amarra todas as pontas soltas, mas exige um esforço normalmente reservado para filmes menos comerciais ou, como já dito, outras visitas (sendo que todas irão valer a pena). Não estou querendo banalizar os filmes, mas temos que entender que o casal de namorado que vai no filme por causa do marketing feroz, em um sábado a tarde, pra relaxar e trocar uns amassos não está muito preocupado com roteiros intrincados.
O enredo acompanha a conseqüência e os motivos por trás da morte do comediante. Como todos os heróis foram proibidos por lei e só podem trabalhar para o governo, a morte do mais antigo herói ainda na ativa desperta suspeitas de Rorschach (Jackie Earle Haley) já que ninguém conhece suas identidades. Procurando um a um todos os seus antigos colegas, Rorschach descobre uma trama que tem como objetivo aparente a destruição do planeta.
Uma premissa simples que entre viagens a marte e diversos Flashbacks consegue demonstrar ao mesmo tempo a simplicidade e a enorme complexidade do ser humano. Isso fica obvio quando vemos Dr. Manhattan (Billy Crudup), o único super-herói de todos (por ser o único com poderes reais), enfrentando o dilema de não ser mais considerado humano e, portanto, se tornando extremamente solitário.
Saindo um pouco do enredo para não criar spoilers temos a belíssima criação desse mundo imaginário que se forma pela presença dos heróis. Zack Snyder acertou no uso das cores e das formas, tanto nos uniformes como nos ambientes, que remetem a realidade da década de 80, algo criado por Dave Gibbons na sua arte e recriado para o filme da mesma forma que nos quadrinhos. Isso dá um tom ameaçador ao mundo que se formou, mas ao mesmo tempo inspira uma certa segurança nos ambientes internos. Todo esse trabalho consegue ainda ajudar a contar a história e deixar bem claro que o que vemos não é o nosso mundo, os zepelins que passam pela cidade e muito da arquitetura capturam a essência de como o mundo com o Dr. Manhattan seria diferente (algo mais explícito nos quadrinhos).
As atuações estão e são magníficas. As melhores são sem duvida a de Jackie Earle Haley como Rorschach e Jeffrey Dean Morgan como o Comediante. O primeiro captura a essência sociopata do herói puritano que vê o mundo com um asco tão grande que não se importa mais em matar para livrar a sociedade de seus desafetos. O Comediante também vê o mundo com nojo, mas a sua natureza bélica e sua aliança com o governo lhe dão forças para olhar de cima tudo que ele odeia na sociedade. Por isso também o Comediante é o personagem que mais se transforma ao longo do filme, saindo de um porco narcisista e se tornando um homem de moral falha e caráter dúbio que percebe o engodo em que vive e o que fez de errado.
Billy Crudup como Manhattan está muito bom, passando uma atitude serena em todas as cenas e a força do personagem em pouquíssimos pontos, conseguimos perceber através da atuação que o Dr. Manhattan é um homem que apesar de ser o mais pacífico possível entende a natureza destrutiva do mundo que o cerca e sabe se defender quando se sente oprimido. Ozymandias (Matthew Goode), que era o meu maior medo (ele tinha cara de criança nas fotos liberadas ao longo da produção do filme), se torna magistral na forma como conscientemente ele mostra seu caráter e suas idéias diferentes ao mundo, além de mostrar carisma e afeição à humanidade ao ter que cometer sacrifícios para que as coisas funcionem. Patrick Wilson como o Coruja II está bem, poderia estar melhor por ser um dos personagens principais, mas não faz feio. Carla Gugino, uma atriz que eu adoro, faz muito bem com o pouco tempo de tela que ela tem interpretando a Espectral original, mas os méritos vão para a Espectral II (Malin Akerman) que além de ser muito bonita faz muito bem o papel de alguém que involuntariamente seguiu os passos da mãe e não sabe como seguir a própria vida.
Por fim, as musicas. Poderia passar dias discutindo todas as musicas do filme e seus motivos. Sei que algumas pessoas reclamaram das escolhas feitas por Zack Snyder, mas eu acredito que, tirando um erro ou outro, os acertos foram bem maiores que os erros. Hallellujah e 99 Luft Ballons estão totalmente fora de compasso, mas só essas são os exemplos. Já falei da alegria de ouvir The times they are A-changin’, mas não posso esquecer da musica instrumental do filme Koyaanisqatsi usada na seqüência de Marte (que me deixou arrepiado), de All Along the Watchtower tocada por Hendrix (mas novamente de composição do mestre Bob Dylan) e da solenemente ignorada The Beginning is the End is the Beginning do Smashing Punkings que é tocada no Trailer desse e ficou perfeita.
Tirando uns pequenos pecadilhos que comete com a própria natureza não heróica dos nossos heróis (alguns golpes exagerados) e com o fato de ser um filme violento (o que pode desestimular uma segunda visita para algus públicos) Watchmen é um filme que vale a pena pela poesia e mensagem que tenta passar, sendo que a mensagem não de ser confundida com uma mensagem anti-belica (ainda que essa exista) mas sim com uma mensagem sobre a condição na qual a humanidade se encontra e o que estamos fazendo uns contra os outros, com eu disse "O mundo acaba com você".
By Pato
PS: Ouvi muito sobre o fato do Comediante estar logo nos créditos iniciais atirando em Kennedy, algo que apesar de não estar no livro, na minha opinião, somente mostra o lado bélico do personagem. As pessoas que disseram não compreender por que colocaram o Comediante fazendo isso não procuram entender o próprio personagem e todas as suas motivações.
PPS: Desculpem o longo intervalo
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22 março 2009
Juno - Jason Reitman
E o filme aconteceu. Depois dos 96 minutos eu me endireitei e pensei: "é só isso?". E era só aquilo mesmo.
O que me aconteceu não foi nada parecido com aquilo quando assisti "Little Miss Sunshine". Foi até um pouco decepcionante, e fato. Então se você ainda não assitiu Juno, faça um favor a você e aos envolvidos na produção e deixe de lado tudo o que você ouviu sobre a revolucionária história de Diablo Cody. Simplesmente sente-se e aproveite a viagem.
A história fala de uma adolescente de 16 anos - Juno - que abre o filme entornando um galão de suco de laranja. A narração dá o tom: Juno não é lá uma pessoa muito fácil de entender.
A abertura dos créditos é interessante, transformando a caminhada da heroína em animação, misturando perfeitamente a música ao rítmo dos passos. A história começa quando Juno descobre que está grávida.
Indiscutívelmente, esse é um filme de personagens, com diálogos fantásticos. Entendam, o roteiro é bem simples: adolescente grávida procura família para adotar seu bebê ao invés de abortá-lo e encontra o casal jovem e cheio de dinheiro. As coisas não vão muito bem, nem muito mal. Elas simplesmente seguem como na vida real. O que torna a película tão diferente é justamente isso: o retrato honesto daquelas pessoas, sem lirismo. Não existem estereótipos. Não existem superfreaks. Pessoas reais passeiam pela tela e nos identificamos com elas.
Juno é uma jovem diferente. Ela não é uma patricinha supermaquiada, nem uma nerd feiosa. Ela é uma metralhadora de referências e comentários sarcásticos. Se não soubessemos o que a menina tem na cabeça seria até difícil acreditar que ela tem sentimentos de verdade. Mas descobrimos sim, que ela tem. Sua condição não é tão fácil quanto ela faz parecer e seu relacionamento com as pessoas envolvidas não é tão smples quanto ela gostaria que fosse. Ela não é a heroína que queremos ser ou a vilã que queremos odiar. Ela é uma menina brilhante e amalucada que não consegue assumir o que sente. Que se esconde atrás dessa pessoa que ela inventou.
No final, quando conhecemos Juno um pouco melhor, torna-se ainda mais impossível não achar Ellen Page uma fofa. Seu trabalho é impecável e cheio de nuances. Ela torna Juno real e possível, com falhas e qualidades. O filme é tão dela quanto o título. Os atores de apoio também trabalham muito bem: todos com alguma excentricidade, mas nem por isso estranhos a nenhum de nós. O pai e a madrasta, e a forma como eles aceitam a gravidez, muito normal. Muito bonito. Muito engraçado.
O casal que deve adotar o bebê, com a mulher super controladora e desesperada para ser mãe e o marido compositor com a maior cara de que está no lugar errado e na hora errada. Eles se encaixam perfeitamente na história.
A melhor amiga cheerleader e os outros adolescentes do colégio estão muito distantes do que conhecemos sobre o Highschool americano. Como eu já disse, não há estereótipos no filme. Apenas reações engraçadas (e esperadas). Adorei esse aspecto em especial.
O personagem que, a meu ver, é o mais complexo (depois de Juno) é o progenitor Bleeker (magistralmente interpretado por Michael Cera, de Arrested Development e Superbad). Apaixonado por Juno, ele tem que lidar com a inconsistência da expressão da garota, que não consegue lidar com o que sente por ele. E, como qualquer garoto, ele não pode simplesmente implorar à Juno que seja sua namorada. Isso não se faz mais hoje em dia. E todos os eventos do filme acotecem com ele, sem que, de alguma forma, ele seja um agente mais do que passivo. Ele ouve que vai ser pai, mas não precisa fazer nada a respeito. Ele vê a garota que gosta andar por ai todos os dias e sabe que não vai estar com ela. Ele corre todos os dias. Isso é tudo o que ele pode fazer.
Quando Juno percebe que o casal perfeito não é tão perfeito, finalmente atingimos o interior da menina. Ela sente o medo, a confusão, a decepção, o peso. Mas como uma boa menina, ela sabe o que é certo. Ela aceita que o bebê é uma pessoa e se aproxima dele. Todo esse tempo ela chamava a criança de "it", equivalente a "coisa" em português. É o seu bebê e ela quer o melhor para ele. Não adianta mais virar os olhos e fingir que está acontecendo com outra pessoa. Ela decide parar de se esconder atrás da barriga e do cinismo. Ela precisa crescer.
Em termos técnicos, a película é muito bonita. Tudo bem colorido (sem saturar) e sempre nublado. Os enquandramentos são divertidos e tocantes. Uma coisa que me incomodou no começo foi a forma que toda passagem era coberta por uma música. Parecia trabalho de principiante na direção. Mas depois eu entendi. Juno é uma mãe de primeira viagem. Ela é jovem e faz as coisas acontecerem. Sua vida passa como um videoclipe, só que com músicas antigas, como as que ela gosta. Então não é supresa que o filme termine assim, como um videoclipe, com tudo exatamente onde deveria estar desde o começo.
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19 novembro 2008
Ressaca de Amor - Nicholas Stoller
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06 novembro 2008
RocknRolla - Guy Ritchie
Marcadores: Ação, Comédia, Gerard Butler, Guy Ritchie, Idris Elba, Jeremy Piven, Karel Roden, Ludacris, Thandie Newton, Toby Kebbell, Tom Hardy, Tom Wilkinson
24 setembro 2008
Chumbo Grosso - Edgar Wrigth
Simon Pegg, Nick Frost e Edgar Wright são, sem sombra de duvida, os amigos que mais se divertem no mundo. Pense comigo, eles fazem filmes de ação, comédia e terror (normalmente misturando os gêneros, o que faz com que eles tenham três gêneros e apenas dois filmes), daí eles pegam, tiram sarro de tudo e de todos, param para se levar a sério e fazem cenas antológicas do gênero que, aparentemente, eles estavam homenageando e tirando sarro. Agora, imagine o tanto de diversão que eles devem ter durante as filmagens.
Saindo de SitComs Britânicas, o trio, que havia começado muito bem com o magnífico “Todo mundo quase morto”, resolveu assistir todos os nossos filmes de ação favoritos e provar que aquela história, de tão absurda, poderia dar um ótimo, e extremamente engraçado, filme. Para isso, bastou fazer o que todo estúdio de Hollywood faz diariamente, criar o policial ideal, na situação menos ideal do mundo.
Resumindo a ópera, o filme funciona assim: Nicholas Angel (Simon Pegg) é o policial mais condecorado, corajoso, detentor de recordes, dedicado e odiado da força policial de Londres. Ele é odiado exatamente pelo fato de ser bom em tudo que faz. Como conseqüência desse “ódio” todo, ele é transferido pelos seus superiores (em uma cena hilária) para uma pequena cidade do interior, já que ele faz a corporação de Londres “parecer ruim” comparando-a com ele. Chegando lá ele encontra os felizes habitantes da cidade mais pacifica da Inglaterra. Chegando com toda a eficiência que ele possui ele descobre que os crimes são baixos por dois motivos, um pequenas infrações são ignoradas com um tapa na mão apenas (ou uma oferta de bolo do culpado) e mortes são consideradas acidentes.
Nesse momento ele começa a tentar provar que as mortes não são acidentes e existe um assassino a solta em Sandford, algo muito dificl de se fazer quando a única pessoa que acredita nele é o impressionável Danny Butterman (Nick Frost), filho do chefe de policia Frank Butterman (Jim Broadbent). O mais interessante é ver a reação de toda a cidade ao constatar que Nicholas é insanamente dedicado ao trabalho. Afinal, logo que ele chega na cidade ele sai para beber no Pub local (suco, sempre) e descobre alguns menores bebendo (“melhor aqui dentro que lá fora” diz o dono do Pub). Ele então leva todos eles para a delegacia e, de quebra, seu futuro parceiro.
O desdém que o recepcionista da delegacia olha para ele (no meio da noite cheio de detentos) é impagável. Além disso, ele praticamente se nega a ajudar. Por falar nisso, o recepcionista da delegacia é uma das inúmeras pequenas piadas do filme, piadas essas que ajudam a segurar o bom humor o tempo todo.
O filme conta também com um elenco impecavelmente muito bom. O ex-007 canastrão Timothy Dalton faz um dono de supermercado que ao mesmo tempo que parece ser culpado, parece ser uma pista falsa. Enquanto isso Stuart Wilson, faz um médico que é conivente com todas as mortes, mesmo parecendo absurdas (suspeito? Será?). Por fim, Jim Broadbent, que faz ao mesmo tempo o pai amável de Danny, e o policial mais bondoso do mundo.
Contando com esse elenco impecável, e muitos outros vindos direto de “Todo mundo quase morto”, o filme mostra que sangue, violência, paródias e muito bom humor combinam muito bem, além de tirar uma de uma vez por todas, aquele gosto amargo que as paródias americanas tem deixado na minha boca (só de ver os trailers, imagina de ver os filmes).
By Pato
PS: Das inúmeras participações especiais, duas estão muito discretas, Cate Blanchet como a ex-namorada de Angel (de mascara) e Peter Jackson como o Papai Noel esfaqueador (no estilo, pisque e perca).
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17 setembro 2008
A Pequena Sereia - Ron Clements & John Musker
Nunca assisti seguindo uma cronologia. As vezes via Alladin, outras vezes a Dama e o Vagabundo e as vezes Bernardo e Bianca. Isso fez com que cada filme tivesse um apelo diferente, mas não necessariamente o apelo de marketing de seu lançamento (como eu era criança nunca achava que o filme era um lançamento da época, achava que era meu pai querendo levar a gente pra ver outro desenho, por isso não havia nenhuma expectativa especial).
Como cresci com esses filmes, acabou se tornando um movimento natural perceber quais eu gostava mais e quais eu gostava menos, e enquanto minha paixão pelo cinema aumentava, eu começava a desconstruir o que mais me encantava nesses filmes. Naturalmente, com o advento do DVD, meu pai (sempre ele) começou a comprar os filmes da Disney que iam saindo nesse novo formato, e finalmente me dei conta de uma coisa: nenhum filme exercia um fascínio tão grande sobre mim quanto a Pequena Sereia, e era o único que demorava demais para sair em DVD. Foi nesse momento que percebi que a Pequena Sereia era, para mim, o grande desenho animado da minha infância.
Mas também não é a toa. O filme conta uma história fantasiosa que é composta de pequenos atos (na época não era necessário um roteiro rebuscado para se ter uma grande história) que contam a história de maneira simples, porém ser perder, nem por um segundo, a energia e magia que a cerca. A história desenvolve-se em torno de Ariel (Jodi Benson), a mais jovem filha do Rei Tritão (Kenneth Mars). Ela é uma sereia que se apaixona por tudo que é feito pelos humanos e, por conseqüência, por um humano, o Príncipe Eric (Christopher Daniel Barnes). Quando o rei descobre essa paixão ele destrói toda a coleção de objetos humanos que ela possuía, fazendo com que ela se envolva com a Feiticeira Úrsula (Pat Carroll) em busca do seu amor. Mas esta feiticeira finge ajudá-la apenas para poder chegar mais perto de roubar o poder do Rei.
Perceba duas coisas. Primeiro: reconheceu algum dos atores? Não? Pois saiba que nessa época eram pouquíssimos os atores famosos que dublavam as animações Disney (tanto em inglês quanto em português). Na minha opinião isso só aumentava a qualidade do filme, já que um dublador profissional cria vozes de acordo com o personagem, o que dá mais liberdade para que, juntamente com os roteiristas e animadores, possa se criar um personagem mais marcante e interessante. Hoje, quando um ator famoso dubla um personagem, muitas de suas características são emprestadas ao desenho, além de não haver nenhuma mudança na voz do ator para se encaixar no personagem ou na narrativa (normalmente, existem alguns atores que fazem exceções como, por exemplo, o Mike Myers em Shrek).
A segunda coisa a perceber é que contando a história eu cheguei a metade do filme (três dos seis atos), o que significa que ele não é muito especial no seu roteiro. Mas o importante é que cada personagem, mesmo que minimamente, é bem construído, deixando-os mais interessantes e capazes de fazer-nos amá-los, odiá-los, torcer por eles, chorar por eles ou se perguntar o que ocorrerá depois do final do filme com cada um deles (no meu caso, principalmente o Linguado).
As musicas são, com o perdão do trocadilho, um show a parte. Me limito a colocar aqui alguns exemplos (em esse e esse, em português) dessas musicas, que me dão uma sensação maravilhosa ao ouvir.
Contando ainda com uma técnica de animação muito boa, que pode não se comparar aos filmes mais recentes da Pixar, mas mesmo assim é magnífica no uso das cores dentro e fora d'água, percebemos que esse filme é formado por milhões de coisas preciosas que engrandecem a obra, a torna mais atemporal e um clássico que deve ser revisto. Eu revi. Quando você vai rever esse filme ou o seu desenho favorito? Com seus filhos não conta, a não ser que eles tenham mais de 12 anos.
By Pato
PS: Se você pensar em alguns anos no futuro, quem será Mike Myers? Será que a sua voz será tão relevante para o filme Shrek? E o Eddie Murphy, sua voz foi a mesma de sempre em Shrek (apesar de ter funcionado bem no Burro), será que será relevante ele ter feito essa dublagem? Coisas a se pensar. (Updated 02/10/08) OUTRA COISA! Como ouvi reclamações quero explicar que Branca de Neve é de 1937 e Bambi de 1942, por isso eu disse que quem foi criado com esses filmes era "beeeeeeeeeeeeeeeem mais velho".
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O Nevoeiro - Frank Darabont
Quando eu li o livro Tripulação de Esqueletos de Stephen King eu nunca imaginei me deparar com um conto que pudesse me aterrorizar tanto quanto o A Névoa. Dentre dezenas de contos fantásticos, tanto de terror quanto de fantasia, A Névoa se sobresaia pelo simples fato de que além das pessoas estarem ilhadas e separadas de todos aqueles que elas amam, elas são obrigadas (por advento de algumas pessoas) a lutar umas contra as outras para poderem escapar da destruição certa.
Por isso, quando descobri que o filme estava sendo feito, fiquei muito feliz (mesmo sabendo que pouquíssimos filmes de Stephen Kings ficaram bons), quando descobri que o diretor era Frank Darabont (dos ótimos Um sonho de Liberdade e A Espera de um Milagre, ambos de King) fiquei mais feliz ainda. Tanto que nem a noticia de que o personagem principal era Thomas Jane me abalou. Nem a distancia de quase um ano entro os lançamentos no Brasil e nos EUA me deixou triste também (afinal aqui não foi direto pro vídeo – bom sinal).
Descobri-me recompensado pela espera, o filme é maravilhoso. Resumindo a história, o pintor David Drayton (Thomas Jane, finalmente atuando bem) resolve ir com o seu filho (Nathan Gamble) e um vizinho (Andre Braugher) ao supermercado comprar provisões logo após uma forte tempestade. Chegando lá uma forte névoa (ou neblina, nunca sei a diferença) cerca o local. Isso não seria nada de mais se Dan (Jeffrey DeMunn) não chegasse correndo e sangrando e dissesse que existem monstros na névoa. Alguns encaram com ceticismo, outros encaram como o fim dos tempos divino e outros tentam descobrir como sobreviver.
A trama então começa a analisar essas mudanças súbitas de comportamento pelas quais as pessoas passam. Algumas começam desde o começo, correndo atrás de seus familiares e entes queridos, alguns aos poucos vão angariando pessoas que suportem suas suposições, outros permanecem céticos muito tempo antes de perceberem a que pé se encontram.
Assim o filme começa a mostrar uma guerra de nervos entre os sobreviventes. Algo que os faz se unirem em pequenos ou grandes grupos e lutarem uns contra os outros. Certos acontecimentos comprovam um grupo em certo momento, outros comprovam outros grupos, e o interessante é ver certos personagens mais volúveis cedendo a um ou outro grupo dependendo da ocasião.
Mas um filme de terror tem que se basear em seus sustos e medos, e nesse aspecto que O Nevoeiro se sobre sai de qualquer outro exemplar do gênero de terror. Com monstros assustadores (as aranhas, MEU DEUS! As aranhas!) criados com esmero, as seqüências dos monstros são surpreendentemente fortes e seguras, sabendo que nunca serão reais, mas que podem ser nossos piores pesadelos.
Com atuações marcantes de todos os personagens o filme ainda tem o trunfo de ter Toby Jones como Ollie, o sujeito franzino que ninguém dá nada pra ele; e Márcia Gay Harden como a senhora Carmody, uma figura emblemática que aos poucos mostra sua verdadeira face.
Por fim, literalmente, o filme tem um final surpreendentemente forte e triste, que vai fazer com que muitos saiam do cinema soltando muxoxos do tipo “isso nunca ocorreria”, “que idéia idiota”, mas pensando que no fundo aquele é um dos melhores finais de um filme em muito tempo.
By Pato
PS: (SPOILERS) Poucos sabem, mas o jogo mais famoso do mundo (do entretenimento eletrônico), Half Life, foi baseado na suposição de seus criadores de que se foi ruim para o mundo aqui fora, imagina para quem estava na base militar.
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